01 março 2013

Anna Karenina (Leon Tolstói)

Após descobrir o canal da Claire, eu me dei conta de que precisava ler mais clássicos. Os vídeos dela me mostraram que os livros consagrados não são bichos de sete cabeças e que podem nos proporcionar um imenso prazer na leitura, além de agregar diversos conhecimentos. Separei alguns que eu já tinha, visitei um sebo e comprei outros. Entre eles estava Anna Karenina, numa edição de 1971, da Abril Cultural. Eu não sabia por qual clássico começar 2013 e após ótimas críticas feitas pelo meu amigo Henrique, acabei optando pelo romance de Tolstói

Leon Tolstói
Já mencionei aqui que quando gosto muito de um livro tenho imensa dificuldade para falar dele. Tenho medo de me repetir em meio a elogios e não mostrar aos leitores do Dose o porquê de x livro valer a pena ser lido. E quando eu me deparei com o melhor livro que eu já li na minha vida? Eu estava com muitas dúvidas sobre escrever ou não sobre ele, mas vou tentar convencê-los do quão completo é este livro. A primeira sentença da resenha deste livro em 1001 Livros para Ler antes de Morrer diz o seguinte: "Muito consideram Anna Karenina o melhor romance do mundo. De qualquer modo, é um dos melhores exemplos do século XIX do romance psicológico". Pois é, esse é o melhor livro do mundo, na minha opinião. 

Lev Nikolaievich Tolstói nasceu em 9 de setembro de 1828 e faleceu em 20 de novembro de 1910. Foi um escritor russo de grande reconhecimento. Deixou a universidade, mas sempre foi um incentivador do estudo,  inclusive tentou educar os trabalhadores da propriedade de seus pais. Em 1851 ele entrou para o exército e lutou na Guerra da Crimeia. Além de romancista, ele também escreveu diversos artigos que o tornaram bastante conhecido no meio literário de São Petersburgo. Ele acreditava em uma vida simples, sem bens materiais e viveu seus últimos dias como um eremita. Além de Anna Karenina, Tolstói também escreveu Guerra e Paz, romance conhecido mundialmente.

Primeiro volume, 1878
"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". É assim que começa o livro Anna Karenina, escrito entre 1873 e 1877. Como indica a primeira frase do livro, o enredo todo gira em torno de uma família, focando principalmente em Anna Karenina, uma mulher da aristocracia russa, casada e com um filho, que decide abandonar tudo para viver com seu amante Vronski. Apesar de este ser o foco do livro, Tolstói explora diversos temas como o amor, casamento, política, fé e morte. Há diversos personagens importantes, mas o mais interessante talvez seja Lievin, que em muito se assemelha com o próprio Tolstói

Sobre este ser o melhor livro do mundo, claro que outros enredos me conquistaram mais, mas este é simplesmente o livro mais completo que eu já li. Todos os personagens são bem construídos, os temas explorados são coerentes em pleno ano de 2013 e apesar de possuir quase 800 páginas (na minha edição), em momento algum ele se torna tedioso. Não é a toa que se tornou um dos grandes clássicos da literatura mundial, ele inclusive já foi adaptado para o cinema diversas vezes. Destaco a versão de 1935, com Greta Garbo no papel principal e a nova adaptação, do ano passado.

Greta Garbo, no filme Anna Karenina

- Naturalmente, mas lembra-te de que, quando estiveste em minha casa, tu me censuraste os prazeres da vida. Não sejas tão severo, meu moralista! 
- No entanto na vida o que é bom é... - a voz de Liêvin entaramelou-se-lhe. - Enfim, não sei, só sei que morreremos breve. 
- Por que havemos nós de morrer breve? 
- Quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica.
(pág. 353)