Histórias de vida, superação e evolução

Uma das minhas principais motivações para seguir a carreira jornalística é a minha paixão por contar histórias. Observar, captar detalhes, ouvir o que as pessoas têm a dizer, estar no local dos acontecimentos e imaginar o que se passa pela mente de cada um só observando suas expressões, declarações e gestos, são atitudes que me prendem e fascinam. Essa inclinação remonta aos meus primeiros anos e me faz ser leitora contumaz de biografias e livros do gênero. Passeando por livrarias e bancas de revista, sempre que me deparo com uma obra que abarque as mais diferentes histórias e experiências, paro para dar uma lida e, dependendo do conteúdo, adquiri-la.

"Escolha um trabalho que você ame e você não irá ter que trabalhar mais um outro dia". Créditos: My better life.
Foi seguindo esses passos que encontrei "Histórias para aquecer o coração: 50 histórias de vida, amor e sabedoria", organizado por Jack Canfield e Mark Victor Hansen (original A 3rd Serving of Chicken Soup for the Soul, editora Sextante, 2011, pág. 80), e "A Terapia das histórias: Porque todos têm direito a um final feliz!", de Maria Sallete de Assis Silva (editora Paulinas, 2011, pág. 246). Ambos os livros trazem histórias de vida, superação e busca por uma evolução pessoal e espiritual. O mais interessante em leituras como essas, sempre rotuladas apressadamente de 'autoajuda', é a observação de pequenos detalhes do cotidiano, transformando-os em algo maior. A boa história se mostra tanto nas narrativas mais ínfimas quanto nas mais elevadas, e é exatamente isso que o leitor pode encontrar nas duas obras.

"Histórias para aquecer o coração" foi adquirido em uma banca de revista e consegui devorar o livreto em menos de uma hora. Trata-se de uma edição de bolso, rápida, congregando os mais diferentes autores. Quando você se depara com depoimentos de gente que enfrentou doenças sérias, perdeu um ente querido, ficou sozinho e sem ter em quem se apoiar, encarou medos, angústias, superando a si mesmo, você começa a se dar conta que é possível reformular a existência, entendendo o fato de que a maior e mais devastadora revolução está dentro de cada um.  Em dado momento, os preconceitos e análises fabricadas começam a cair, e nasce uma sensação de identificação, de pertencimento, abrindo sua mente para a história do outro. Há sempre um depoimento que cabe dentro das suas expectativas e, no meu caso, fico com as histórias "Correr riscos" e "Medo de quê", cujo conteúdo traz a superação do medo de arriscar, de 'take a risk - survive' (assuma o risco, sobreviva - tradução livre).

Já em "A Terapia das Histórias", a autora Maria Sallete, que é psicóloga clínica e nutricionista, elenca breves histórias que se conectam e completam, permitindo que cada um encontre espaço para se reconhecer, se deixar tocar. Além dos textos, a autora propõe uma releitura da narrativa, dando ao leitor alguns questionamentos acerca de como se sente em relação ao que foi lido, fazendo posteriormente uma reflexão crítica da história e propondo um exercício de introspecção ao final de cada capítulo. Destaque para "O que para uns é motivo de lamentação, para outros pode ser de motivação", "O tamanho dos nossos problemas está diretamente ligado a nossa percepção", "Uma perda pode trazer um ganho maior", "O inesperado faz parte da vida" e "A vida pode ser mais leve se nos livrarmos dos pesos desnecessários", onde todas carregam a ideia da transformação e desapego, duas palavras que exigem sacrifício, sentimento repelido de todas as maneiras por um mundo em que prega a máxima de que se deve ter tudo o que se quer a qualquer tempo e custe o que custar.

"Não espere por um momento perfeito. Pegue o momento presente e faça-o perfeito". Créditos: My better life.

Tendo contato com leituras como essas, nos permitimos a prática do "ouvir o outro sem interromper" ou ainda "ouvir o outro mais do que falar de nós mesmos".


Plus:

A autora Maria Sallete de Assis fez uma apresentação sobre o livro dela. Saiba mais aqui.

Algumas músicas nos permitem chegar mais perto do entendimento de quem somos, do que podemos superar e de onde podemos chegar. Recomendo as canções "Rebirth" (Angra), a lindíssima e genial "A Simple Mistake" (Anathema) - o tipo de música que eu adoraria ter composto! - e "Hero" (Mariah Carey).

Há um ano, a escritora Paula Abreu resolveu adotar outro estilo de vida, recomeçar do zero e falar sobre a felicidade em fazer as próprias escolhas e adotar caminhos por vontade, e não por pressões. A página da Paula na internet se chama 'My better life'.

Comentários

  1. Esses tipos de livros não fazem meu estilo, gosto de uma coisa mais fantasiosa, eventualmente mais descontraída, mas parecem ser ótimas indicações!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  2. Amiga!
    Lembrei que esqueci (rs) de comentar contigo sobre o "Histórias para aquecer o coração", li-o no mesmo dia em que vc e a Rafa me enviaram, gostei tanto! <3

    Precisamos MESMO de pequenas doses de incentivo e positivismo em nossas vidas, principalmente quando tudo está atribulado e temos necessidade de praticidade, madureza e inteligência para resolver certas questões internas.

    Beijão!!!

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