16 março 2013

Histórias de vida, superação e evolução

Uma das minhas principais motivações para seguir a carreira jornalística é a minha paixão por contar histórias. Observar, captar detalhes, ouvir o que as pessoas têm a dizer, estar no local dos acontecimentos e imaginar o que se passa pela mente de cada um só observando suas expressões, declarações e gestos, são atitudes que me prendem e fascinam. Essa inclinação remonta aos meus primeiros anos e me faz ser leitora contumaz de biografias e livros do gênero. Passeando por livrarias e bancas de revista, sempre que me deparo com uma obra que abarque as mais diferentes histórias e experiências, paro para dar uma lida e, dependendo do conteúdo, adquiri-la.

"Escolha um trabalho que você ame e você não irá ter que trabalhar mais um outro dia". Créditos: My better life.
Foi seguindo esses passos que encontrei "Histórias para aquecer o coração: 50 histórias de vida, amor e sabedoria", organizado por Jack Canfield e Mark Victor Hansen (original A 3rd Serving of Chicken Soup for the Soul, editora Sextante, 2011, pág. 80), e "A Terapia das histórias: Porque todos têm direito a um final feliz!", de Maria Sallete de Assis Silva (editora Paulinas, 2011, pág. 246). Ambos os livros trazem histórias de vida, superação e busca por uma evolução pessoal e espiritual. O mais interessante em leituras como essas, sempre rotuladas apressadamente de 'autoajuda', é a observação de pequenos detalhes do cotidiano, transformando-os em algo maior. A boa história se mostra tanto nas narrativas mais ínfimas quanto nas mais elevadas, e é exatamente isso que o leitor pode encontrar nas duas obras.

"Histórias para aquecer o coração" foi adquirido em uma banca de revista e consegui devorar o livreto em menos de uma hora. Trata-se de uma edição de bolso, rápida, congregando os mais diferentes autores. Quando você se depara com depoimentos de gente que enfrentou doenças sérias, perdeu um ente querido, ficou sozinho e sem ter em quem se apoiar, encarou medos, angústias, superando a si mesmo, você começa a se dar conta que é possível reformular a existência, entendendo o fato de que a maior e mais devastadora revolução está dentro de cada um.  Em dado momento, os preconceitos e análises fabricadas começam a cair, e nasce uma sensação de identificação, de pertencimento, abrindo sua mente para a história do outro. Há sempre um depoimento que cabe dentro das suas expectativas e, no meu caso, fico com as histórias "Correr riscos" e "Medo de quê", cujo conteúdo traz a superação do medo de arriscar, de 'take a risk - survive' (assuma o risco, sobreviva - tradução livre).

Já em "A Terapia das Histórias", a autora Maria Sallete, que é psicóloga clínica e nutricionista, elenca breves histórias que se conectam e completam, permitindo que cada um encontre espaço para se reconhecer, se deixar tocar. Além dos textos, a autora propõe uma releitura da narrativa, dando ao leitor alguns questionamentos acerca de como se sente em relação ao que foi lido, fazendo posteriormente uma reflexão crítica da história e propondo um exercício de introspecção ao final de cada capítulo. Destaque para "O que para uns é motivo de lamentação, para outros pode ser de motivação", "O tamanho dos nossos problemas está diretamente ligado a nossa percepção", "Uma perda pode trazer um ganho maior", "O inesperado faz parte da vida" e "A vida pode ser mais leve se nos livrarmos dos pesos desnecessários", onde todas carregam a ideia da transformação e desapego, duas palavras que exigem sacrifício, sentimento repelido de todas as maneiras por um mundo em que prega a máxima de que se deve ter tudo o que se quer a qualquer tempo e custe o que custar.

"Não espere por um momento perfeito. Pegue o momento presente e faça-o perfeito". Créditos: My better life.

Tendo contato com leituras como essas, nos permitimos a prática do "ouvir o outro sem interromper" ou ainda "ouvir o outro mais do que falar de nós mesmos".


Plus:

A autora Maria Sallete de Assis fez uma apresentação sobre o livro dela. Saiba mais aqui.

Algumas músicas nos permitem chegar mais perto do entendimento de quem somos, do que podemos superar e de onde podemos chegar. Recomendo as canções "Rebirth" (Angra), a lindíssima e genial "A Simple Mistake" (Anathema) - o tipo de música que eu adoraria ter composto! - e "Hero" (Mariah Carey).

Há um ano, a escritora Paula Abreu resolveu adotar outro estilo de vida, recomeçar do zero e falar sobre a felicidade em fazer as próprias escolhas e adotar caminhos por vontade, e não por pressões. A página da Paula na internet se chama 'My better life'.