In memoriam: Escritores e seus túmulos (Parte II)

Assim como prometido na Parte I, darei continuidade à esta fúnebre série de posts sobre escritores e o lugar onde repousam atualmente, seus túmulos.
Com breves descrições sobre vida e obra, e informações e imagens de onde estão sepultados, este post é em memória aos maiores nomes de nossa literatura universal.
Sempre quis saber aonde meus maiores ídolos literários estão enterrados, e vocês?

Thomas de Quincey

Nascido em Manchester, na Inglaterra aos 15 de agosto de 1785, o celebrado escritor, ensaísta e crítico Thomas De Quincey, é conhecido mundialmente por sua obra “Confissões de Um Comedor de Ópio” em que descreve as alucinações provocadas pela droga. Era evidente o seu talento desde cedo, inclinado à vida acadêmica e aos estudos, porém, ainda na Universidade de Oxford, De Quincey conheceu o ópio e seus efeitos, à princípio como tratamento para sua nevralgia, mas até o fim da vida viria a ter diversas experiências com o uso do alucinógeno, ao ponto de se declarar um "opiômano regular e inveterado". Seus textos influenciaram os célebres Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe. Está sepultado no Saint Cuthbert's Churchyard em Edimburgo, na Escócia, onde faleceu em 8 de dezembro de 1859, aos 74 anos.


“Tenho lutado contra este fascinante cativeiro com zelo religioso...” - Confissões


Mary Shelley

A famosa e talentosa autora de “Frankenstein” nasceu em 30 de agosto de 1797 e foi batizada sob nome de Mary Wollstonecraft Godwin. Após casar-se com o poeta Percy Shelley é que adotou o nome que conhecemos. Mary Shelley teve uma série de tragédias em sua vida, perdeu 3 filhos ainda bebês e o marido, muito jovem. Passou o resto de sua vida escrevendo e cuidando do quarto e único filho do casal que sobrevivera. A escritora nasceu e morreu em Londres, suspeita-se que a causa da morte tenha sido um tumor cerebral. Faleceu em 1 de fevereiro de 1851 e está sepultada em St Peter Churchyard, Bournemouth, Dorset, Inglaterra, junto com seu filho, pais e esposo.


“Apresento ao público minhas últimas descobertas nas escassas páginas sibilinas.” - O último homem


Honoré de Balzac

O francês Honoré de Balzac, nascido em 20 de maio de 1799 em Tours, Vale do Loire, conhecido por sua magnum opus “A Comédia Humana” e por seu romance “A Mulher de Trinta Anos”, foi um dos fundadores do realismo na literatura, além de romancista e dramaturgo de destaque no século XIX. Era um observador da humanidade sem idealismo. Veio à óbito aos 18 de agosto de 1850, cinco meses após seu casamento, em Paris, onde se encontra seu visitado túmulo, no Cimetière du Père Lachaise. Balzac nunca parou de trabalhar, mesmo com a saúde debilitada e muito fraco, até o dia de sua morte, aos 51 anos. Victor Hugo, escritor e amigo, encarregou-se do elogio fúnebre.


“Ele reluzirá... entre as mais brilhantes estrelas de sua terra natal.”
Victor Hugo, sobre Balzac


Edgar Allan Poe

O primeiro autor verdadeiramente americano, Edgar Allan Poe, nascido em 19 de janeiro de 1809 em Boston, foi poeta, contista e ensaísta, maestro na estrutura e no minimalismo de seus contos desconcertantes e de tom sombrio, faleceu de forma tão curiosa quanto suas “Histórias Extraordinárias” e até hoje inexplicável, supõe-se que de delirium tremens, um tipo de demência causado pela abstinência do álcool. Foi encontrado morto numa viela em 7 de outubro de 1849, e está sepultado no Westminster Burial Ground na cidade de Baltimore, Maryland, USA, junto com sue mãe e esposa, falecida dois anos antes.


“Disse o corvo, nunca mais” - O Corvo, E. A. Poe


Nikolai Gogol

O literato autor de “Almas Mortas” foi tão polêmico tanto em vida quanto em morte. Nascido em 31 de março de 1809 na Ucrânia, Nikolai Gogol é conhecido pelo humor satírico, pelas observações minuciosas, o surrealismo, a sátira política, as situações farsescas e personagens exuberantes. Ao morrer, em Moscou, aos 4 de março de 1852, Gogol era considerado insano, ironia cruel para o autor do icônico “Diário de um Louco”. Seus últimos anos foram tão estranhos que estão cercados de boatos, entre os quais o de que ele não estava realmente morto ao ser enterrado. Está sepultado num belíssimo túmulo no Novodevichy Cemetery, em Moscou, Rússia.



“Sei que o meu nome será mais feliz do que eu.”
- Gogol

Na terceira parte veremos Charles Dickens, Henry David Thoreau, Charles Baudelaire, Fiódor Dostoiévski e (à pedido da Mara Vanessa) Emily Brontë.

R. I. P.

Comentários

  1. Puxa, que demais! Me amarrei em saber mais sobre os túmulos da Shelley, Poe e Balzac. O túmulo do Gogol é um destaque à parte. Meu coração palpitou.

    Parabéns, Eni!

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    1. Obrigada, Mara!
      Vejo os túmulos como algo simbólico, um lugar de homenagens, de tranquilidade e respeito, e puxa, imagina a emoção de estar diante dos restos mortais desses gênios, acho que se assemelha à emoção de estar na presença de alguém que a gente gosta e admira muito. :)

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  2. Olá !
    adorei esses posts, o túmulo do Gogol é muito bonito, já o do Quincey está um tanto quanto abandonado pelo que parece. É interessante pensar nessas coisas, porque o cemitério de Père Lachaise em Paris é um ponto turístico na cidade devido aos famosos que estão lá enterrados.
    Abraços
    Melissa Padilha
    decoisasporai.blogspot.com.br

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    1. Obrigada, Melissa! Que bom que gostou, fico feliz!
      O do Gogol parece de um mármore enegrecido, né? Bonito mesmo.
      Já o Quincey parece ser pedra sabão, e como o tempo (tem mais de 150 anos!!!), chuvas e etc, o limo toma conta. Mas eu particularmente achei um dos mais bonitos.
      Exatamente! Este cemitério francês é um ponto turístico, assim como é o Cemitério da Consolação aqui em São Paulo.
      Abração!

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  3. Se me permite uma sugestão: Jorge Luis Borges em Genebra. Os idosos à beira da morte, em A Balada de Narayama, de Shohei Imamura, se retiravam a uma montanha, para passar ao mais além. Borges se retirou a Genebra, depois de passar sua última tarde aqui:

    http://bit.ly/SvKuts

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