22 abril 2013

As Traduções de "O Corvo"

Se O Corvo não for o poema mais famoso da história dos poemas, deve estar, no mínimo, na lista dos top 10. Não há um professor de literatura inglesa que não mencione O Corvo em pelo menos uma de suas aulas, e não há fã de literatura inglesa que não conheça esse trabalho de Poe




Por que será que O Corvo é tão conhecido? Bem, poderíamos listar vários motivos: pela métrica, rima, sonoridade, enfim, por sua total e completa perfeição. Muitos tentam descobrir quanto tempo Poe levou para escrever essa obra-prima, mas até hoje não se sabe se foram dias ou anos (eu voto em anos). O poema foi tão bem escrito que traduzi-lo é uma tarefa para mestres.

Escolhi três traduções em português para mostrar nesse post: a de Machado de Assis, a de Fernando Pessoa e a de Milton Amado. Como o poema é bem longo, vou colocar aqui apenas a primeira estrofe de cada tradução.




Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.' - Edgar Allan Poe
Em certo dia, à hora, Da meia-noite que apavora, Eu, caindo de sono e exausto de fadiga, Ao pé de muita lauda antiga, De uma velha doutrina, agora morta, Ia pensando, quando ouvi à porta Do meu quarto um soar devagarinho, E disse estas palavras tais: "É alguém que me bate à porta de mansinho; Há de ser isso e nada mais."  - Tradução de Machado de Assis
E se eu disser que não gosto da tradução acima?  
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais. "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. É só isto, e nada mais." - Fernando Pessoa
Por fim, minha tradução favorita: 
Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite erma e sombria, A ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais, E, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído, Tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar. "É alguém?" fiquei a murmurar, que bate à porta, devagar; Sim, é só isso e nada mais." - Milton Amado
Milton Amado era um jornalista de Minas Gerais, porém, acho que ele se saiu melhor nessa tradução do que os dois grandes gênios da literatura brasileira e portuguesa. E vocês, o que acham? Qual das traduções vocês preferem?

Por: Gaby