08 abril 2013

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres - Stieg Larsson

Quando eu quero ler um livro, faço de TUDO para evitar spoilers. Não vejo filme, não leio comentários, não escuto conversa de amigos sobre o assunto, não leio sinopse, nada (como já mencionei aqui, no post sobre o livro Quarto) e foi isso que fiz com Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. Para quem não sabe nada sobre o livro, ele é um grande tapa na cara, e imagino que a sensação seja a mesma para qualquer um, na verdade.


O livro começa com Mikael Blomkvist, um jornalista econômico tentando se livrar de uma horda de repórteres que estão fazendo história com o seu maior fracasso: Blomkvist foi sentenciado a 90 dias na cadeia e uma senhora multa por ter difamado o famoso e admirado empresário Hans-Erik Wennerström.

Logo depois somos apresentados a Lisbeth Salander, uma jovem investigadora de uma grande empresa, mas ela não parece se importar muito com isso. Lisbeth trabalha quando quer, e só pega os casos que a interessam. Quem ela está investigando agora? Blomkvist. Para quem? Para o misterioso advogado Dirch Frode. Além disso, Frode também pede que ela continue a investigação iniciada por Blomkvist sobre Wennerström. 

Frode estava, na verdade, representando seu empregador, Henrik Vanger. Henrik é um senhor de idade que quer contratar Blomkvist para um trabalho muito peculiar: descobrir quem foi o assassino de Harriet Vanger, sua sobrinha-neta. Henrik crê que alguém da família Vanger cometeu o crime, e esse alguém envia um presente específico para ele a cada ano, no seu aniversário, para torturá-lo psicologicamente. Blomkvist precisa ser discreto, então deve fazer um outro trabalho ao mesmo tempo, escrever a biografia da família Vanger.

Veja só, Henrik parece ser apenas um bom velhinho torturado pela morte de sua sobrinha-neta, mas ele é, na verdade, um homem muito astuto, pois ele sabe que a situação financeira de Blomkvist está indo de mal a pior, graças a seu fracasso no tribunal, e que ele não poderá escrever nada na própria revista - Millenium - enquanto a poeira não baixar. Ele se aproveita dessa situação, oferece um dinheiro absurdo para Blomkvist, promete ajudá-lo a se vingar de Wennerstörm e ta-da, o jornalista está contratado!

Enquanto isso, o guardião legal de Salander faleceu e o novo não parece ser nenhum pouco são. Lisbeth é molestada pelo seu novo guardião quando ela vai até seu escritório pedir permissão para -pasme- usar o próprio dinheiro! Porém, essa garota, apesar de ser baixinha e magrela, prepara uma bela de uma vingança, da qual não vou falar, porque não quero estragar o livro. 

"Say goodnight" - foi minha frase favorita do livro. 

Na ilha de Hedeby, nosso querido Blomkvist está um pouco perdido. Graças a sua filha ele descobriu uma pista de extrema importância, mas não consegue decifrá-la. E é aí que os caminhos de Salander e Blomkvist se encontram. Ele precisa de uma investigadora para ajudá-lo, Dirch Frode fala de Salander e -ops!- deixa escapar que ela investigou o próprio Mikael. 


Vou parar por aqui, apesar de a história mal começar nesse pedaço. O livro é muito bom, quem não leu, leia, se já leu, releia. Uma observação que vi em várias resenhas, e que vou repetir aqui, é que esse livro, na verdade a trilogia Millenium, não é sobre estupro, é sobre homens que odeiam mulheres (como diz o título).

Devo apenas concordar. O foco do livro não é tanto nos crimes, e sim em quem os cometeu. Especialmente quando vemos o mundo pela perspectiva de Lisbeth. Os homens que cometem as atrocidades no livro são odiáveis, e todos agem de forma desprezível com as mulheres a sua volta, como se elas não fossem seres humanos, como se fossem insetos que eles esmagam quando estão entediados. É perturbador, é assustador e incrivelmente real, considerando o mundo em que vivemos.

Porém, não acho que o Blomkvist seja o homem que ama as mulheres, não. Não mencionei, mas o casamento dele foi para o brejo graças ao seu caso de décadas com sua sócia, Erika Berger. Ele é um pai ausente, fica com qualquer mulher que demonstra interesse, mesmo se isso for afetar seu trabalho, mesmo se isso for atrapalhar seu raciocínio na hora de definir os suspeitos de terem assassinado Harriet, e, é claro, mesmo se o caso for ferir a própria mulher a longo prazo.

Lisbeth Salander é uma personagem intrigante. Apesar de ela estar presente durante o livro todo, não sabemos muito do seu passado, não a conhecemos direito. Isso porque ela mesma procura esquecer e enterrar os problemas do passado. Ela menciona sempre uma ocasião em específico, mas não chegamos a saber o que houve. 

Por fim, o que mais me deixou apaixonada por esse livro é que mesmo sendo longo (a versão que li tinha 644 páginas), ele não entedia em momento algum. Algo está sempre acontecendo, não são 500 páginas de enrolação/background para 150 páginas de clímax. 

Enfim, espero que tenham gostado do post! Por hoje é só e até a próxima!

Por: Gaby