11 abril 2013

Top 5: Romances clássicos

Romance é um gênero da literatura que transpõe para a ficção a experiência humana, em geral por meio de uma sequência de eventos que envolvem um grupo de pessoas em um cenário específico. “Ele pode muito mais que o conto, a novela ou a poesia dar uma visão global do mundo. Sua faculdade essencial é essa de reconstruir, recriar o mundo. Não o fotografa, mas recria.”

Sendo assim, listo aqui meus cinco romances preferidos, e sinceramente, não foi difícil. Porém, não criei uma definição específica para dizer-lhes o porquê, cada um é para mim o melhor, a seu modo. Gostaria de fazer uma resenha de cada um, mas para isso precisaria reler e reviver a história, portanto, por ora acrescento somente um resumo de cada história e meus comentários pessoais.
Em termos de significância e adoração, estão:

5) A Mulher de Trinta Anos – Honoré de Balzac


Esta leitura me marcou por dois motivos, um porque na época eu estava buscando respostas para algumas perguntas internas, e nele encontrei, foi um calçar de luvas perfeito. Conta a história de Lady d'Aiglemont desde a juventude, casamento, filhos, aventuras extra conjugais e tragédias até a velhice, e tudo isso na visão de Balzac fazem parte de "A Comédia Humana". Outro motivo, porque foi o meu primeiro contato com a literatura de Honoré de Balzac, a partir dela é que me tornei fã do autor. Compenetrada tanto na história quanto na escrita de Balzac, li com desfrute, com prazer, porque Balzac tem esse dom de penetrar na alma feminina e extrair dela sua essência, para transpôr em palavras. É, não só um dos melhores romances, como um dos melhores livros que já li.

4) O Fantasma da Ópera – Gaston Leroux


Li-o há 7 anos atrás, e já o amava antes mesmo de ler. Este livro tem uma atmosfera pesada, sombria, que o francês Leroux elucidou de forma romântica, artística, requintada. Erik, o fantasma que habita os subsolos da luxuosa Ópera de Paris, se apaixona pela jovem e inocente cantora Christine Daaé, e luta pela ascensão da artista "assombrando" quem quer que tentasse impedir sua fama, a jovem só não imaginava que se tornaria objeto de desejo e obsessão deste ser que não soube lidar com a rejeição da amada. Alguns dispensam a leitura por terem tido o desprazer de ver as versões fílmicas, que sinceramente, são completamente descartáveis. Desculpe, mas eu não sou muito fã de musicais. A obra em questão é muito superior aos filmes, mostrou-me, subjetivamente, que a possessão doentia por alguém pode levar-nos aos subterrâneos da alma. É uma história rica, de amor, devoção, música, Paris do século XIX como plano de fundo, e uma narrativa apaixonada.

3) O Amante de Lady Chatterley – D. H. Lawrence


Até perdi as contas de quantas vezes já falei deste livro aqui no Dose. E acho que nunca vou me cansar. Lady Chatterley mostra uma personalidade peculiar ao livrar-se de toda a culpa moral e se envolver física e emocionalmente com um empregado de seu esposo paraplégico e impotente. É um romance de ideias, de grande valor cultural na nossa literatura, porque transpõe muito as ideias de D. H. Lawrence, que era um escritor do realismo entre as relações humanas homem-mulher, de tom profundo e natural. Subversivo, libertário, romântico mas realista, uma obra que alguns consideram pornográfica, eu considero uma obra-prima!

2) Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe 


Goethe é um autêntico homem do Renascimento, e este livro é excelente em sua forma de contar através de cartas, as agruras do jovem alemão Werther, que ama obsessivamente uma jovem comprometida e entra em conflito com o mundo e consigo, incapaz de se expressar e encontrar a felicidade. Goethe sabe descrever uma tristeza profunda, e o consegue de maneira dramática, ao narrar o fracasso de Werther em superar a rejeição, o que contribui para levá-lo a um violento suicídio. Goethe criou o suprassumo da alma torturada. Palmas!

1) O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë



As severas investigações de Brontë em torno da opressão de classe e gênero, contada sob a forma de uma história de fantasmas gótica, sugere que não é possível viver feliz para sempre. A história é contada pela personagem Ellen Dean a governanta, que foi testemunha de todos os fatos descritos. A autora demonstra uma mente inquieta e indagadora a explorar as sombrias fronteiras do relacionamento humano com a natureza e a divindade. Comiseração, gratidão, preconceito, humilhações, vingança, sofrimento, ódio extremo, amor e devoção, rispidez e candura, orgulho e outros tantos sentimentos meramente humanos se encontram nos personagens dessa trama. Brontë explora a tristeza profunda da alma e é possível mesmo conhecermos tal sensação ao ler a história, fica muito marcada, jamais vou esquecer as sensações que senti com este livro, talvez seja esse o principal motivo pelo qual está aqui em primeiro.

Estes são os meus cinco preferidos, e os seus?

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