05 abril 2013

Você sabia que a Biblioteca Nacional chegou ao Brasil de navio?

Se você não conferiu pessoalmente, dê uma olhadinha nas imagens da Biblioteca Nacional pelo site oficial. O lugar é imenso e guarda alguns milhões de peças. Livros, jornais, gravuras, desenhos, manuscritos, partituras e outros materiais foram sendo registrados ao longo dos mais de 200 anos de história desta que é uma das dez maiores bibliotecas do mundo. Agora, responda sinceramente: fazia ideia de que a família real trouxe de Portugal esta biblioteca, ou melhor, parte dela, na mudança para o Brasil?

Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro

Os preparativos para a longa viagem da biblioteca começaram a partir de dois episódios históricos que aconteceram em Portugal. O primeiro foi um desastre natural na manhã do dia 1º de novembro, de 1755, em Lisboa. Um grande terremoto, que provocou incêndio e maremoto, arrasou quase toda a região. A Real Biblioteca não escapou e o rei, D. José, logo depois da tragédia, deu início à reconstrução da cidade e à reorganização da biblioteca. Afinal, ter uma biblioteca dava a Portugal uma condição de igualdade com outros países europeus, que se preocupavam muito com a cultura. Então, o rei não perdeu tempo: comprou livros de pessoas comuns, pediu coleções de padres jesuítas e solicitou várias doações.

Mais tarde, em 1807, veio o segundo episódio que determinou mesmo a viagem da biblioteca para o Brasil. Tropas francesas – comandadas por Napoleão Bonaparte – invadiram Portugal, fazendo com que o príncipe regente, D. João, que então era quem comandava o país, transferisse a sede da monarquia para o Brasil. Segundo alguns relatos de historiadores, esta partida não foi nada tranquila. Muitos detalhes envolviam a mudança da Corte, já em1808, para um país desconhecido. Afinal, eram inúmeras pessoas embarcadas e uma longa distância a percorrer. A Real Biblioteca estava entre os tesouros do príncipe, encaixotada, pronta para embarcar também. Mas...

Por esquecimento ou falta de espaço, as mais de 300 grandes caixas que guardavam os livros ficaram no porto de Belém, em Lisboa, pegando chuva e sol até – acredite! - 1810, quando foram finalmente despachadas em três viagens rumo ao Brasil. Luiz Joaquim dos Santos Marrocos era o bibliotecário responsável e embarcou na segunda viagem da Real Biblioteca, em março de 1811. Mas ele não estava muito contente com isso não. Escreveu para seu pai, a bordo da fragata Carlota Joaquina, reclamando da difícil travessia e das grandes aflições pelas quais passou. Revoltado, disse que se soubesse que seria uma viagem tão difícil não viajaria e nem deixaria os livros irem também. Ainda bem que nada disso aconteceu!

Apesar das angústias do bibliotecário, as caixas chegaram ao Rio de Janeiro inteiras e foram bem acomodadas no Convento da Ordem Terceira do Carmo. Depois, foram para outro prédio, no centro da cidade. Somente em 1910, ela ocupou a atual construção onde mora até hoje. Na época, eram cerca de 60 mil peças de valor incalculável. E pronto! Foi assim que nasceu a Biblioteca Nacional brasileira, vinda de Portugal para o Brasil.

Interior da Biblioteca Nacional, no Rio


Eliane Perez,
Divisão de Manuscritos,
Biblioteca Nacional.

Fonte: Revista Ciência Hoje das crianças – ano 25 / nº234 / maio de 2012.

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Gostaria de saber se os nossos leitores cariocas já tiveram o prazer de visitar essa maravilhosa edificação para nos contar um pouquinho a respeito, a caixa de comentários é toda de vocês! ;)