30 maio 2013

O Regresso ao Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

Viajo longe enquanto beberico uma xícara de café, repensando no caminhar da humanidade e no futuro dela, como poderá ser daqui a cinquenta anos, e como será realmente daqui a cinquenta anos. Não exige muito da nossa capacidade de raciocínio se voltarmos os olhos há meio século atrás, quando o notável Aldous Huxley embasou seu trabalho Regresso ao Admirável Mundo Novo a partir dos fatos documentados da época, dos estudos e descobrimentos psicanalíticos e científicos, da evolução industrial, da ascensão tecnológica, do pós guerras, das análises sociológicas, derivados do século XX e da cultura ocidental, e isso tudo no ano de 1959, ano de lançamento do livro.


Por muitos, suas obras são consideradas uma visão quase premonitória, Huxley, quase um profeta, mas na realidade vêm a ser um resumo dos estudos deste intelecto visionário, que utiliza da junção de fontes e outros conteúdos publicados, tanto literariamente quanto cientificamente, e da sua apurada sensibilidade para prever o que se sucederia diante da realidade das décadas em que viveu. Ele faz uma revisitação a sua obra Admirável Mundo Novo, fazendo comparativos da ficção que tornou-se realidade, cita Freud, trechos do livro e de discursos de Adolf Hitler, fala também sobre as premissas orwellianas e sua mais célebre obra, 1984, dentre outros materiais publicados como teses, revistas científicas, e demais obras técnicas.
Em seus doze capítulos aborda temas como o sistema das políticas governamentais; as influências que a mídia exerce sobre a manipulação das massas e sobre o consumismo; a superpopulação global e os problemas de racionalização que enfrentamos e havemos ainda de enfrentar; controle de natalidade; um resumo dos efeitos de drogas e das consequências por utilização em excesso; dentre outros temas assaz pertinentes e de real importância ao nosso saber.

Se me permitem o comentário aleatório, senti nele e em D. H. Lawrence, a partir de seus livros, essa carga sensitiva humanitária, apesar dos estilos literários distintos, eram exímios pensadores, notórios em tudo o que faziam, ambos residindo em Oxford tornaram-se inclusive amigos.

Aldous Leonard e David Herbert, a expressão corporal de ambos
mostra que a conversa estava interessante...

É incontestável a capacidade de elucidação de Huxley e as probabilidades eloquentes que disporia em suas obras desde Admirável Mundo Novo, suas afirmações feitas com tanta segurança chegam a assustar, tamanha a precisão. Pois não se trata somente de ter em mente um esboço do futuro, Huxley também soube prever as causas e reações do progresso mundial.

Na obra, Huxley expõe os problemas, a realidade, as causas e efeitos, e conclui defendendo a educação e a liberdade individual para solucionar, como se desse-nos a vara para pescar ao invés do peixe para comer, reflexões e conclusões ficam à parte do leitor, a forma de repensar em seus atos, e nas melhorias que devem ser aplicadas, também.


Trechos selecionados:

“A filosofia nos ensina a sentirmo-nos indecisos sobre coisas que nos parecem evidentes por si mesmas. A propaganda, no extremo oposto, nos ensina a aceitar como por si mesmo evidente aquilo de que seria razoável duvidar ou sustar o nosso juízo.” Pg. 77

“Quase todos desejamos a paz e a liberdade; mas somos poucos a ter entusiasmo pelos pensamentos, sentimentos e ações que concorrem para a paz e para a liberdade. Analogamente, quase ninguém deseja a guerra e a tirania; contudo grande parte das pessoas encontra prazer intenso nos pensamentos, sentimentos e ações que concorrem para a gerra e para a tirania.” Pg. 87

“Numa palavra, quanto mais baixo for o nível psicológico de uma pessoa, tanto maior será a eficiência das sugestões injetadas sem controle.” Pg. 135

“Talvez as forças que agora ameaçam o mundo sejam demasiado poderosas para que lhes possa resistir durante muito tempo. É ainda nosso dever fazer tudo o que pudermos para resistir-lhes.” Pg. 197


Ficha Técnica:

Título original: Brave New World Revisited
Autor: Aldous Huxley
Tradução: Eduardo Nunes Fonseca
Editora: Hemus
Páginas: 197
Ano: 1959