Treze à mesa

Enigmas, disfarces e homicídio fazem a fórmula do sucesso estrondoso de Agatha Christie, figura carimbada no Dose Literária. No romance "Treze à Mesa: Um caso de Hercule Poirot" (original "Lord Edgware Dies", tradução de Milton Person, editora Ediouro - selo PocketOuro, 2009, pág. 304), encontramos o famoso detetive Hercule Poirot às voltas com mais um caso emblemático. Ao lado do capitão Hastings, um sujeito com pinta de Dr. Watson mas que, ao contrário deste, é totalmente apagado, Poirot tenta solucionar o misterioso assassinato do Lord Edgware, um homem de muitas posses e dotado de gostos bizarros. O livro não aponta que gostos seriam esses, mas a aura do Lord deveria mesmo ser muito macabra, já que a própria filha do aristocrata não o suporta. 

Versão cinematográfica de Hercule Poirot e seu bigodinho

Hercule Poirot, que é belga e mora na Inglaterra, participa de todo o acontecimento de forma mais próxima, já que a ex-esposa do Lord, a bela e superficial atriz Jane Wilkinson, procura o detetive para que ele possa interceder junto ao marido pelo divórcio, já que ela pretende casar com outro aristocrata cheio da grana. Entre idas e vindas, Lord Edgware é assassinado com uma facada na nuca, em um ponto extremamente estratégico. De imediato, a ex-esposa é considerada a principal suspeita e a partir desse fato outros personagens e problemas vão se misturando. A trama é recheada de disfarces, gente que assume o dito pelo não dito e por aí vai.

De todo, é um livro que se torna mais interessante nos momentos finais. Não simpatizo muito com a figura do Poirot já que, diferente do lendário Sherlock Holmes, ele é cheio de trejeitos, 'não-me-toques', uma educação cansativamente polida e tende a achar que tudo e todos são 'mulas-sem-cabeça'. Ele não respeita nem mesmo seu melhor amigo, o capitão Hastings, um cara de "visão comum", que não coloca "a massa cinzenta para funcionar". Ora, faça-me o favor! Além de tudo, Poirot não é um detetive inteiramente de campo, gasta muito tempo em longas entrevistas com os suspeitos e pessoas ao redor da cena do crime e acha que usar o cérebro em reflexões exaustivas é o único modo de se alcançar êxito. Dentro das histórias de Agatha Christie até pode ser, mas na vida real é necessário um equilíbrio correto de ação e análise.



Algumas partes de "Treze à Mesa" são maçantes, com progressos e retrocessos do detetive. Nas últimas partes, as passagens ganham uma intensidade maior. Um detalhe que merece destaque é o fato de uma observação trivial dita por um transeunte ter mudado os rumos da investigação. No mais, esse não é o tipo de livro que você lê de uma só vez, com todo o ímpeto, mas merece ser citado.


Plus:

A leitora e colaboradora Rafaela Torres indicou um site com episódios das aventuras de Hercule Poirot em versão anime. Confira aqui.

Comentários

  1. um dos livros dela que ainda não li... mas pretendo em breve ^^

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  2. Ah...eu gosto do Poirot! Ele pode ser todo cheio de fricote, mas o primeiro livro que li da Agatha era ele o detetive :) então não teve jeito...não gosto muito é da Miss Marple.

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  3. Adoooro Agatha Christie e o Poirot! :)

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