04 maio 2013

Treze à mesa

Enigmas, disfarces e homicídio fazem a fórmula do sucesso estrondoso de Agatha Christie, figura carimbada no Dose Literária. No romance "Treze à Mesa: Um caso de Hercule Poirot" (original "Lord Edgware Dies", tradução de Milton Person, editora Ediouro - selo PocketOuro, 2009, pág. 304), encontramos o famoso detetive Hercule Poirot às voltas com mais um caso emblemático. Ao lado do capitão Hastings, um sujeito com pinta de Dr. Watson mas que, ao contrário deste, é totalmente apagado, Poirot tenta solucionar o misterioso assassinato do Lord Edgware, um homem de muitas posses e dotado de gostos bizarros. O livro não aponta que gostos seriam esses, mas a aura do Lord deveria mesmo ser muito macabra, já que a própria filha do aristocrata não o suporta. 

Versão cinematográfica de Hercule Poirot e seu bigodinho

Hercule Poirot, que é belga e mora na Inglaterra, participa de todo o acontecimento de forma mais próxima, já que a ex-esposa do Lord, a bela e superficial atriz Jane Wilkinson, procura o detetive para que ele possa interceder junto ao marido pelo divórcio, já que ela pretende casar com outro aristocrata cheio da grana. Entre idas e vindas, Lord Edgware é assassinado com uma facada na nuca, em um ponto extremamente estratégico. De imediato, a ex-esposa é considerada a principal suspeita e a partir desse fato outros personagens e problemas vão se misturando. A trama é recheada de disfarces, gente que assume o dito pelo não dito e por aí vai.

De todo, é um livro que se torna mais interessante nos momentos finais. Não simpatizo muito com a figura do Poirot já que, diferente do lendário Sherlock Holmes, ele é cheio de trejeitos, 'não-me-toques', uma educação cansativamente polida e tende a achar que tudo e todos são 'mulas-sem-cabeça'. Ele não respeita nem mesmo seu melhor amigo, o capitão Hastings, um cara de "visão comum", que não coloca "a massa cinzenta para funcionar". Ora, faça-me o favor! Além de tudo, Poirot não é um detetive inteiramente de campo, gasta muito tempo em longas entrevistas com os suspeitos e pessoas ao redor da cena do crime e acha que usar o cérebro em reflexões exaustivas é o único modo de se alcançar êxito. Dentro das histórias de Agatha Christie até pode ser, mas na vida real é necessário um equilíbrio correto de ação e análise.



Algumas partes de "Treze à Mesa" são maçantes, com progressos e retrocessos do detetive. Nas últimas partes, as passagens ganham uma intensidade maior. Um detalhe que merece destaque é o fato de uma observação trivial dita por um transeunte ter mudado os rumos da investigação. No mais, esse não é o tipo de livro que você lê de uma só vez, com todo o ímpeto, mas merece ser citado.


Plus:

A leitora e colaboradora Rafaela Torres indicou um site com episódios das aventuras de Hercule Poirot em versão anime. Confira aqui.