04 junho 2013

Misto-Quente, de Charles Bukowski

O velho Charles Bukowski ♥ é um escritor muito citado aqui no Dose. Eu sou apaixonada por esse velho safado desde que comecei a ouvir falar sobre ele por volta de 2008/2009 através de uma amiga. Primeiramente li trechos da obra dele, suas frases sempre me prendiam.

Conheci um pouco através da HQ Delírios Cotidianos. Mas só li o romance dele Misto-Quente um bom tempo depois. Então eu não poderia deixar passar a oportunidade de falar sobre o meu primeiro livro dele e o primeiro que indico para quem quer começar a conhecer sua obra.

Pela ordem cronológica eu acabei acertando sem saber ao começar a ler os livros do Buk por este. O fato é que boa parte da obra dele se centra no personagem Henry Chinaski que nada mais é do que seu alter-ego e quase todos seus romances são como uma biografia.

Em Misto-Quente acompanhamos a vida do Chinaski, desde sua infância até o final da adolescência e começo da vida adulta. Logo que comecei a ler eu percebi que a escrita do autor era totalmente diferente de tudo ao que eu estava acostumada, por mais que eu conhecesse trechos de sua obra eu fui pega de surpresa com a crueza do seu texto. Bukowski não perdoa ninguém, ele é direto, é sarcástico, é sujo e politicamente incorreto. Lembro que durante a leitura eu senti em vários momentos asco, isso mesmo gente, nojo! As descrições eram tão reais que eu não podia deixar de torcer o nariz em alguns momentos mas por mais novo que aquilo tudo fosse pra mim e talvez até um pouco difícil, eu segui em frente porque a história era simplesmente incrível, me prendeu mesmo.

A vida de Chinaski é narrada por ele mesmo e conta sobre sua trajetória como uma pessoa de origem alemã morando nos EUA no fim dos anos 20, pobre, com o pai autoritário e abusivo e uma mãe totalmente passiva. Chinaski conta tudo, as surras, as brigas com colegas, a adolescência difícil e agravada por sua aparência e suas descobertas durante este período.

Virou um dos meus livros preferidos dele e não poderia deixar de ser assim, por isso indico muito, sempre.

Não sabia se estava infeliz. Sentia-me miserável demais para ser infeliz.
(Charles Bukowski)