22 junho 2013

Tchau, Hercule Poirot!

Estou de viagem marcada para daqui a algumas horas e tenho que pensar rápido sobre o que falar do livro "Cai o Pano" (original Curtain, editora Saraiva de Bolso em parceria com a editora Nova Fronteira, 2011, págs. 200), mais um caso do famoso Hercule Poirot, lendário detetive criado pela escritora Agatha Christie

Hercule Poirot e seu fiel amigo capitão Hastings - versão das telinhas

Antecipo (cuidado que lá vem spoiler) que esse é o último caso de Poirot, já que as coisas irão mudar drasticamente depois que o detetive, já aposentado, e seu fiel escudeiro capitão Hastings retornam à mansão Styles, palco da primeira investigação que os dois fizeram juntos. O livro é uma espécie de revival, com flashbacks suaves sobre o primeiro caso, mas com uma roupagem completamente diferente. Iniciei a leitura um pouco receosa, já que alimento certo "trauma" das atuações do investigador belga (leia mais aqui). No entanto, para minha surpresa, Cai o Pano é intrigante, possui um assassino com prontuário psicológico interessante e, finalmente, traz à tona uma atitude decidida de Hercule Poirot.

Tudo começa com Poirot convocando o velho amigo Hastings de volta à mansão, com o intuito de prevenir mais um homicídio. O criminoso traz nas costas cinco assassinatos que aparentemente não possuem nenhuma conexão em si, e escolheu Styles para passar uma temporada. Como o detetive belga está doente, paralisado e cardíaco, o correto e honrado capitão Hastings terá que ser os olhos e ouvidos da mente brilhante de Poirot. Além de tudo, o nobre capitão enfrentará uma situação pessoal que o deixará atordoado e embaraçado, já que sua filha, uma jovem pesquisadora, também está hospedada na mansão.

Poirot e seu bigodinho (leia o livro e descubra algo sobre esse bigode)

A tradução do livro é assinada por ninguém menos que Clarice Lispector e está primorosa - como se é de esperar. Com cenas mais rápidas e interessantes, os enigmas de 'Cai o Pano' ficam mais claros e justificados, o que é um ótimo sinal. Se você prestar atenção a todos os detalhes do livro, até mesmo os mais insignificantes, vai conseguir adivinhar quem é o assassino que está assombrando a dupla de investigadores.

Pela primeira vez, senti que Agatha Christie não saiu atirando sem rumo na hora de marcar o homicida, tática que ela tem o hábito de fazer. Nessa narrativa, temos a impressão que a 'rainha do crime' sabia exatamente quem seria o culpado pelas transgressões desde o início, dando ao texto maior coerência e consistência.


Os diálogos que marcam as conversas dos personagens também são bastante intuitivos, caracterizando ainda mais a ideia de abrir as cortinas. Hercule Poirot está menos cansativo e o capitão Hastings com mais atitude, outro sinal da grande evolução que se opera na obra. Jogando mais um spoiler, o livro acena uma despedida em grande estilo. Dessa vez, eu também aceno com as duas mãos.