19 julho 2013

Dose de poesia: Meus poetas preferidos - Parte 2/3

Semana passada eu revi o filme Sociedade dos Poetas Mortos e essa cena logo me chamou a atenção:
Nem preciso dizer que eu dei replay até decorar. 
E é com essa cena maravilhosa que eu quero dar continuação a série de postagens sobre meus poetas preferidos.

Fernando António Nogueira Pessoa, o nosso querido Fernando Pessoa, deve ter sido um dos poetas que mais me intrigou quando li, acho que foi por causa dos heterónimos que ele criou, isso me deixou um pouco confusa, mas ao mesmo tempo maravilhada. Li muitos poemas dele na net mas apenas recentemente adquiri um livro de poemas dele intitulado apenas Poesias Fernando Pessoa e outro chamado Poemas Completos de Alberto Caeiro. Um dos poemas que mais gosto dele é:



Autopsicografia
Fernando Pessoa
                                          
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.




Outro poeta, no caso aqui poetisa que não poderia faltar na minha lista é outra portuguesa. Seu nome Flor Bela de Alma da Conceição EspancaFlorbela Espanca. Gostei dela de cara por causa de sua poesia feminina, com o teor melancólico, onde eu sempre tinha a impressão que ela escrevia de uma vez só sempre com o coração arrebatado. Florbela morreu jovem...não tanto como os românticos, mas deixou uma obra riquíssima. O livro que li dela foi o Livro de Mágoas. Um poema dela que me vem logo a cabeça:



Eu ... 
Florbela Espanca   

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

                       

                                                    

O próximo é Pablo Neruda, pra mim Pablito :) foi um poeta Chileno, que conheci muito por acaso. Diferente dos anteriores que citei, não o conheci pela internet, conheci pelo livrinho Cem Sonetos de Amor que achei meio esquecido na estante da biblioteca do colégio que eu estudava. Lembro de tê-lo lido num folego só e me apaixonei pelos poemas doces e amorosos de Neruda. Ele fala de amor e todos os sintomas que acometem os apaixonados (e o que deixaram de ser) de uma maneira linda. Acho que se eu pudesse definir a poesia de Neruda em uma palavra só não pensaria duas vezes e diria que é: simples. Eis aqui uma de suas pérolas...


                                Saudade 
                            Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já... 
Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 
Saudade é o inferno dos que perderam, 
é a dor dos que ficaram para trás, 
é o gosto de morte na boca dos que continuam... 
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 
aquela que nunca amou. 
E esse é o maior dos sofrimentos: 
não ter por quem sentir saudades, 
passar pela vida e não viver. 
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.



O último poeta de hoje é um brasileiro e se chama Manuel Bandeira, e posso dizer que conheci Bandeira lá...nos livros didáticos! Eu adorava receber os livros no começo do ano na Escola e quando pegava no volume de Língua Portuguesa, me esbaldava! Lia as tirinhas, os textos complementares (até os exemplos das atividades hahahaha), aí um dia eu vi, "O poema". Não posso nem negar, foi amor à primeira lida!  



                                            Bicho

VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.






Na parte 3/3 teremos: Carlos Drummond de Andrade, Hilda Hilst, Vinícius de Moraes e Charles Bukowski. Aguardem!