18 julho 2013

O Grande Gatsby e o Sonho Americano

Por que este livro é uma das obras-primas da literatura universal? Também fiz essa pergunta a mim mesma. Já tinha lido algumas sinopses, algumas resenhas e ainda me parecia obscuro o motivo da importância deste livro até lê-lo. Para que eu pudesse compreender a atmosfera transmitida por Fitzgerald foi preciso conhecer um pouco da sociedade americana da década de 20. Após a Primeira Guerra Mundial, a alta elite americana mergulha no glamour e na música que vem do gueto – o Jazz.



O Grande Gatsby é considerado uma parábola do “sonho americano”, que é o ideal do povo que almeja a riqueza através do próprio suor. Os alicerces desse ideal são constituídos por: trabalho honesto, busca pela felicidade e esforço pelas próprias mãos. Gatsby é a personificação corrompida desse sonho.
A história de Gatsby é narrada pelo personagem Nick, jovem de família tradicional, vindo de Midwest para trabalhar com ações financeiras na agitada Nova York.  Aluga uma casa em West Egg (cidade dormitório nos arredores de Nova York) próximo da costa e percebe que tem um vizinho um tanto misterioso e muito rico. Do outro lado da costa mora sua prima Daisy e o marido Tom – um casal de família nobre por gerações.
Intrigado, Nick passa a observar as grandes e luxuosas festas promovidas por seu vizinho até que um dia é convidado pelo próprio Jay Gatsby. A partir daí, Nick e Gatsby se tornam amigos, o que faz com que Nick descubra os interesses e mistérios do seu rico vizinho. Quem era Gatsby? De onde veio? Como conseguiu tanta fortuna? Por que tantas festas? E por que Gatsby parecia tão solitário apesar de estar cercado de pessoas? 

"Quem é esse tal Gatsby, afinal de contas? - indagou subitamente Tom. - Um grande contrabandista de bebidas?"

Leo Di Caprio como Jay Gatsby na adaptação de 2013.
Em meio a festas regadas a muita champanhe, jazz, carros luxosos e o verão nova iorquino, o objetivo de Gatsby começa a ser desvendado: Daisy - prima de Nick. 

O que torna o livro instigante é a atmosfera de mistério sobre a história de vida de Gatsby, sua esperança e objetivos com Daisy que é revelado em pitadas. Fitzgerald descreve as futilidades dos jovens ricos, a boêmia ao som do jazz nos subúrbios e o preconceito racial/social através dos personagens Daisy, Tom e Jordan.
O destino dos personagens até o fim da história foi muito surpreendente para mim. O ritmo da história melhora bastante a partir do encontro de Gatsby e Daisy e segue numa enxurrada de acontecimentos que causa uma certa confusão de sentimentos e opiniões sobre os personagens. A impressão que tive é que o narrador nos influencia o tempo todo, pois não se limita em apenas narrar os fatos, mas julga-os de modo sutil e isso acaba por influenciar o leitor.
"Sempre que tiver vontade de criticar alguém- recomendou-me - lembre primeiro que nem todas as pessoas do mundo tiveram as vantagens que você teve." (Nick, Capítulo I).

Nick (Tobey Maguire) e Gatsby (Leonardo Di Caprio) - 2013.

Cinema: Apesar de algumas críticas que li por aí sobre a última adaptação, eu gostei do filme. O filme transmitiu um pouco da excentricidade da época, mas exagerou um pouco com os personagens. Recomendo a leitura do livro primeiro para depois assistir as adaptações. (Minha opinião). Sou muito leiga quando o assunto é filmes e cinema (rs).



Publicado em: 10 de abril de 1925
Autor: F. Scott Fitzgerald
Idioma original: Língua inglesa
Editora: L&PM Pocket
Edição: 2011
Tradução: Willian Lagos



*O texto publicado não expressa necessariamente a opinião do Dose Literária e é de total responsabilidade minha. Críticas, sugestões, xingamentos entre outras coisas devem ser destinadas somente a mim. (rs). Obrigada.