13 julho 2013

Pinga literária com gosto francês e aroma brasileiro

Nos últimos tempos, a correria do dia-a-dia tem tirado um bocado de ânimo da minha sacola de pertences. Resistindo bravamente, entre um intervalo e outro de matérias, papéis e artigos, terminei de ler dois livros da Coleção 64 páginas no mesmo dia. Essa façanha encheu meu peito de orgulho! Antes de qualquer coisa, tenham piedade, gente! Sou uma Peter Parker que a vida ajudou a produzir - exatamente por esse motivo, ele é o herói que me causa embaraço e tédio. No meio da parafernália toda, li "A obra-prima ignorada seguido de Um episódio durante o Terror", do Balzac, e "As grandes histórias da mitologia greco-romana", assinada por A.S. Franchini, ambas da L&PM pocket.

Peter Parker: Dureza demais essa vida de freela!

Na vanguarda, a Eni falou sobre esses dois contos do Balzac de forma pormenorizada, enchendo o leitor de vontade. "A obra prima-ignorada" traz a narrativa ficcional de Nicolas Poussin, um pintor classicista voltado para o equilíbrio, rigor e perfeição. Lembro de ter visto uma imagem do quadro "Os Pastores de Arcádia", obra do Poussin, em um dos livros de literatura do oitavo ano. O assunto em voga era Arcadismo e trazia poemas de caras como Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Bocage, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. Tive a felicidade de fazer uma visita aos aposentos de alguns desses caras - cheguei quase dois séculos atrasada, eu admito -, mas isso é assunto para um próximo texto (devaneios...).

Os Pastores de Arcádia, de Nicolas Poussin

Voltado ao conto de Balzac, o jovem aspirante a pintor Poussin vai visitar um mestre das artes e acaba conhecendo outro mentor artístico e espiritual, que compartilha ideias e técnicas supostamente brilhantes. Nesse conto, nosso querido Honoré de Balzac mostra toda a sua capacitação no universo das artes e destila conhecimento, explicando pormenores de um trabalho artístico qualificado. Apesar de ter gostado razoavelmente do conto, me senti muito mais à vontade quando estava me aproximando do desfecho e consegui inferir que a busca pela perfeição pode ser um verdadeiro abismo sem fim. Algumas fixações não merecem nem sair do nosso armário mental, ou corremos o risco de ficarmos loucos ou perdemos nossas vidas por "nadica de nada", como diriam meus antepassados.

Seguindo, me deparei com o excelente "Um episódio durante o Terror", conto que acompanhei
com bastante interesse e apreensão. Uma senhora é perseguida na rua por um completo estranho que, não satisfeito, invade sua casa - na verdade, um espaço de exílio - e demonstra interesse em ajudar. Como a época não estava fácil para ninguém, já que cabeças poderiam rolar a qualquer momento por conta da Revolução (em letra maiúscula mesmo!), o visitante ilustre poderia ser um espião e delator. Qualquer errinho, o indivíduo poderia acabar um cavalheiro (ou dama) sem cabeça. Literalmente.

Gostei muito do clima de tensão e agonia que emana do conto. Apesar das minhas suposições sobre qual seria o final, acabei errando. Ponto para o Honoré!

Também aproveitei para ler "As grandes histórias da mitologia greco-romana", uma forma divertida e atual de conhecer as mitologias que fazem nossas histórias e cabeças. O material do brasileiro A.S. Franchini é descontraído, o que contribui para desanuviar um pouco o leitor. Sou apaixonada por mitologia - nas mais diferentes acepções que essa palavra pode produzir - e me diverti muito relendo as taradices de Zeus algumas vezes apunhaladas pela ciumenta Hera, além do desfile de intrigas, choques de poder e "humanidades" dos deuses. Basta não ser um fundamentalista com relação à linguagem empregada e tudo estará nos conformes.

P.S: Já que estamos falando de mitologias e uma coisa leva à outra, meu próximo livro em pauta será "Devoradores de Mortos", de Michael Crichton, que traz relatos sobre a vida do povo Viking. Me desejem sorte e um tempo de leitura mais curto, já que acabei de lembrar que ainda vou procurar o livro.


Vikings: Série fantástica do History Channel!