19 agosto 2013

50 Sonetos Reunidos

O texto a seguir é uma contribuição da publicitária, jornalista e escritora sem pretensão Camila Castro de 29 anos.


Paulo Ouricuri é um escritor – e um ser humano – multifacetado.
Enquanto profissional, é um advogado bem-sucedido, formado pela UFRJ com pósgraduação em Direito da Economia e da Empresa na Fundação Getúlio Vargas, além de ser um dos fundadores do escritório Camargo, Moreira & Ouricuri Advogados, com sede no Rio de Janeiro.
Enquanto indivíduo, é casado e pai de dois filhos – e ser pai é, sem nenhuma dúvida, a função que mais lhe ocupa os pensamentos e mais alegria traz ao seu coração.
Enquanto escritor, Paulo Ouricuri combina o que é enquanto profissional e enquanto indivíduo: o comprometimento e a seriedade necessários para qualquer um que pretenda conquistar seu lugar embaixo do sol, e a paixão e dedicação, fundamentais para quem deseja percorrer os sinuosos caminhos da literatura.



O lançamento de seu segundo livro, 50 Sonetos Reunidos, que ocorreu no Espaço Multifoco, na Lapa/RJ, em 19 de julho deste ano, foi como deve ser o lançamento de todo bom livro, que já chega sabendo possuir lugar cativo na estante de diferentes leitores: foi agradável, divertido e cheio de pessoas com uma paixão em comum: a literatura.
Mas não qualquer literatura: a boa literatura, que somente os bons escritores podem Paulo Ouricuri é um destes bons escritores. Primeiro por que, antes de ser escritor, Paulo é um leitor exigente e livre de preconceitos e amarras, que somente nos confinam e ofuscam, fazendo a literatura nos prender e cegar quando deveria nos libertar e esclarecer.

Leu muito, e leu diferentes gêneros, de diferentes escritores, de diferentes épocas, passando desde Monteiro Lobato, Machado de Assis, Eça de Queiroz e Homero, até Dante Alighieri, Maiakovski, Kipling, Camões, Bocage, Fernando Pessoa e Gregório de Matos.
Sabemos que não pode haver um bom escritor sem, previamente, haver um bom leitor, e por conta desta constatação podemos confiar em Paulo Ouricuri.
Ele percorreu os caminhos certos e esteve em excelente companhia literária antes de se aventurar a escrever.

Para Paulo, condensar uma percepção em versos é uma maneira fácil e definitiva de guardar na memória um aprendizado, um questionamento, uma lição de vida alcançada por uma palavra, uma estrofe, um soneto.
O que transforma a poesia em propriedade também do leitor, e não somente do autor, guiando suas ações e lhe confortando nos momentos mais difíceis. Sempre a partir daquilo que o leitor apreendeu e compreendeu da obra – e não necessariamente daquilo que o autor quis dizer.

Sendo a poesia um ponto de partida para inúmeras reflexões, Paulo conta que muitos leitores o procuraram para levantar e debater questões que perceberam durante a leitura de seu livro – questões estas que sequer haviam passado pela cabeça de Paulo no momento de sua criação.
O que, para o escritor, é talvez o maior e melhor retorno que sua obra pode receber. Significa que o livro ultrapassou o que se imaginou ao escrevê-lo, e não lhe pertence mais. Ganhou vida própria.

Outro ponto relevante a ser destacado é que 50 Sonetos Reunidos não é um livro de poesias com temática limitada. Muito, muito pelo contrário. Paulo Ouricuri aborda em sua obra assuntos tão complexos quanto diferentes entre si, não se restringindo somente ao sofrimento de um amor não correspondido, por exemplo.
50 Sonetos Reunidos trata do amor, sim, mas também trata de Deus, da busca pela verdade, da saudade que a vida nos traz quando leva algo que amamos, do remorso, do contentamento e do descontentamento também.

Segundo Paulo, a inspiração não tem hora para acontecer. Os temas se escolhem sozinhos; não são escolhidos conscientemente. E a ideia para um novo texto pode chegar enquanto o autor está no meio do trânsito, quando escuta uma música, durante a leitura de um livro, em uma conversa com amigos. E apesar de preferir escrever antes de dormir, Paulo sabe também que o escritor, para assim ser considerado, precisa se utilizar da disciplina se quiser produzir – menos inspiração e mais transpiração.
Ademais, conforme bem coloca o autor, sempre encontramos tempo para fazer o que gostamos. E Paulo faz o que gosta, do jeito que gosta.

É evidente ao leitor que lê suas obras o carinho e o comprometimento com os quais tais palavras foram escritas e arranjadas. Por isso somos tocados pelos sonetos de Paulo Ouricuri de uma maneira única e deleitosa. E até acreditamos que, de vez em quando, podemos compreender e aceitar a vida como ela é, desde que através do filtro afável e acessível da literatura em forma de poesia.

- Em vida não compreenderemos a vida, ela é uma cadeia de enigmas. Mas vejo a poesia como um facho de luz num labirinto escuro. Paulo tem razão. E por isso mesmo merece ser lido, relido e compreendido.
Até onde se é possível compreender.