14 setembro 2013

Amor eternizado em palavras - Diário de uma paixão, de Nicholas Sparks

Rachel McAdams e Ryan Gosling em Diário de uma Paixão (2004)

Na última quinta-feira, 12, eu completei 26 luas. Pensando emotivamente nesse "meu dia", escolhi falar do livro "Diário de uma paixão", responsável por catapultar o autor Nicholas Sparks para o estrelato. Ao contrário do que pensei, Sparks estudou muito bem o mercado editorial antes de dar o passo decisivo na hora de escrever e lançar um livro. No exemplar lançado pela editora Novo Conceito, traduzido por Renato Marques de Oliveira, edição de 2010, as penúltimas páginas do livro trazem um breve perfil pessoal e profissional do autor norte-americano escrito por ele mesmo. Em entrevista a um portal de notícias nacional, Sparks confirmou o que registrou na sua rápida descrição: a fórmula para se tornar um best-seller é pesquisar um nicho de mercado e tentar preenchê-lo. Bem, foi isso o que ele fez.

Mas não escolhi Diário de uma paixão por conta das declarações nuas e cruas do autor queridinho do
The New York Times, e sim por ser uma história sobre a capacidade do amor. De um jeito real, o diário da vida de Allie e Noah é especialmente tocante, enveredando por caminhos que queremos acreditar que existem, mas que por serem tão raros e difíceis, nem sempre são alimentados e vividos. A equação do romance foi montada séculos atrás por gente como William Shakespeare: jovem casal vive amor impossível e é terrivelmente separado pelas circunstâncias (geralmente a família do par rico da situação). Um drama que muitas pessoas conheceram de perto até bem pouco tempo atrás, porque o casamento por amor começou como um "luxo" do século passado, pois ainda no centenário de XIX predominavam os famosos arranjos matrimoniais, feitos por acordos e negócios, um verdadeiro escambo.

Com Noah e Allie não é diferente: separados pelos pais da moça, o casal fica quatorze anos sem ter notícias um do outro. Quando Allie está prestes a subir ao altar, um pequeno evento cotidiano faz com que se lembre de Noah e o procure antes de casar com um rico, influente e lindo advogado (a balança tem que pesar, não é?). O reencontro traz à tona velhas recordações e novos sentimentos, e é nesse ponto que tudo realmente começa.

Outro cenário especial do livro é o fato de abordar o Mal de Alzheimer, doença que tem se tornado cada vez mais comum na população idosa, destruindo memórias, amores, lembranças. Por não ter cura e apresentar estágios bem complicados, o Alzheimer vai minando a vida aos pouquinhos, como um câncer. E são em horas de dificuldade como essa que sentimos o valor do amor em sua mais pura essência. 

Não resta a menor dúvida que Sparks acertou na dose, mas tenho o dever de ser completamente sincera: o filme homônimo, lançado em 2004 com direção de Nick Cassavetes, e estrelado pelo atraente Ryan Gosling e a então iniciante Rachel McAdams, é melhor e mais interessante que o livro. O roteiro deu um toque especial à história, alterando algumas situações e criando histórias para outros personagens secundários. A mistura desses elementos gerou um longa lindo, talvez um dos mais emocionantes filmes do gênero! Em outras circunstâncias, eu não diria dessa forma, mas entre o livro e o filme, vá primeiro neste último, sem deixar de aproveitar a oportunidade de ler o livro. Juro que você não irá se arrepender.


"O silêncio é sagrado. Ele aproxima as pessoas, porque só quem se sente confortável ao lado de outra pessoa pode ficar sentado sem falar. Esse é o grande paradoxo". (Fragmento retirado da página 190)