24 setembro 2013

Ela e outras Mulheres, de Rubem Fonseca

Quando eu penso em uma palavra para definir a escrita de Rubem Fonseca só me vem essa: visceral. Porque é assim mesmo que podem ser definidos os seus textos. 
O autor não poupa palavras, é intenso, profundo, direto como um soco na cara. Em Ela e outras Mulheres não dava para ser diferente.
Conheci esse livro totalmente ao acaso por volta de 2008 em uma das minhas visitas a biblioteca, lembro bem que quando tirei o livro da estante e fiquei observando sua capa (de um verde limão berrante) a bibliotecária olhou pra mim e disse que não sabia se esse livro era "próprio" para mim, pois era muito "picante"...acho que com isso ela só conseguiu atiçar minha curiosidade e me provar que não tinha ideia do que gosto de ler (risos).
No primeiro conto "Alice" já vi que o livro prometia. É um conto estranho e curioso sobre um garoto que não consegue ir bem nos estudos e não lê direto devido a gagueira, daí os pais contratam uma professora particular que consegue "curar" o garoto da noite para o dia e o menino muda tanto que passa até a ler por diversão...porém o método dela é bem duvidoso.
No livro são ao todo 27 contos ao longo de 176 páginas, ou seja, um livro para ler de uma sentada só. Cada conto possui o nome de uma mulher e vai de A a Z.
São história de amor, ódio, violência, sexo, paranóias, desilusões. São contos sobre pessoas comuns porém em situações nada normais. Podem ser narrados por homens e a maioria deles são protagonizados por eles, mas o que recheia as histórias, são mulheres: boas, más, inocentes, devassas, bonitas, feias. Mulheres que marcam de alguma forma a vida desses homens.
Meus contos preferidos foram: Alice, Belinha (esse é in-crí-vel), Guiomar (e talvez tenham muitos outros, mas só recordaria relendo).
Enfim, um livro incrível, curto e inesquecível como só Rubem Fonseca poderia escrever.

"Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia".  (Rubem Fonseca)