21 setembro 2013

Como o impossível pode ser possível - Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie

A arte de notar as coisas sem notar. Essa é a constatação adequada para os mistérios que envolvem vítimas e bandidos dos livros de Agatha Christie, conhecida mundialmente como "a rainha do crime". Em mais um caso intrigante, o detetive belga Hercule Poirot se vê às voltas com um assassinato ocorrido em pleno trem de luxo, o Expresso do Oriente. Tudo acontece quando uma nevasca muito forte impede que o trem continue seguindo viagem, e nesse intervalo de tempo, um sujeito mal encarado é morto com doze facadas. Hercule Poirot, um dos passageiros do trem, é convocado pelo presidente da companhia - também embarcado -, para solucionar o caso.



Esse é o enredo do livro "Assassinato no Expresso do Oriente" (original Murder on the Orient Express, tradução de Archibaldo Figueira, editora Saraiva de bolso, 2011, págs. 204), publicado em 1934 e que, certamente, ajudou a consolidar a fama de Agatha. Mesmo não simpatizando com Hercule Poirot, esse foi o livro mais engraçado e leve que já li abordando os casos do detetive, com tiradas sarcásticas e humorísticas que me arrancaram risadas. Poirot continua com seu excesso de polidez, mas está infinitamente menos cansativo do que nos outros livros que passaram por mim.

O morto da história era um assassino e sequestrador perigoso, responsável por desgraçar a vida de uma família norte-americana. Ou seja, alguém que não merece a compaixão de nenhum passageiro do trem, e muito menos do leitor. Poirot, o presidente da companhia e um médico decidem interrogar os passageiros, colher depoimentos, organizar os fatos, desenvolver métodos e desvendar o elemento intrigante da cena do crime: ninguém entrou no trem durante o período do homicídio. Então, só pode ter sido algum passageiro. Ou não. O livro é feito disso: pequenas investigações, coleta de testemunhos e observações astutas do bigodudo detetive belga. 


A obra também traz um desfecho bacana, que pode ser deduzido logo nas páginas finais. Vale a leitura.