13 setembro 2013

Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Quando peguei esse livro para ler, eu não coloquei grandes expectativas. Já havia visto o filme e gostado muito. Mas no filme senti que faltou alguma coisa...a verdade é que quando li o livro descobri que faltou quase tudo.

Memórias de uma Gueixa é o relato da gueixa Sayuri sobre sua vida inteira, desde sua infância até sua vida adulta quando se tornou a gueixa mais conhecida e desejada do Japão.
Sayuri antes era Chyio, quando viveu com seus pais e sua irmã Satsu em  uma aldeia de pescadores em Yoroido, eram muito pobres e no começo da história ela conta sobre a vida simples que levava com sua família em sua "casa bêbada".

Sayuri ainda sendo Chyio passa por uma mudança violenta, pois, devido a uma série de acontecimentos fica sozinha no mundo e é separada até de sua irmã Satsu. Vai vendida como uma escrava a uma okiya (casa onde as gueixas viviam) em Kioto. 
Como é de se prever a garota tentou fugir, tentou encontrar sua irmã mas causou  muitos problemas para si nessas tentativas...quando vendidas para a okiya as garotas eram  vistas como um investimento e se fugissem (e fossem recuperadas) eram severamente castigadas. Se um dia viessem a se tornarem belas gueixas todo o dinheiro que recebessem iria para a casa e tornar-se herdeira dela era a segurança que se poderia querer para a vida.

No começo Sayuri era contrária  a tornar-se gueixa, mas um encontro com uma pessoa fez com que desejasse ardentemente isso, tanto é que a partir desse encontro em diante ela lutou para conseguir esse intuito pois devido a erros que cometera no passado (tentando fugir) ela perdeu a chance de ser educada para ser gueixa e teve que conquista-la de volta.

Então ela  relata  todo o  treinamento duro e severo, os castigos, as aulas de dança, música, bons modos e tudo o que contribuiria para que se tornasse uma "artista" (que é o que a palavra gueixa significa). 
Ela aprendeu que a gueixa tinha o papel não só de uma dama de companhia para os homens, ela seria uma obra de arte ambulante.

Uma coisa que eu não comentei antes é que Sayuri tinha uma característica peculiar: olhos azuis. O que é algo extremamente raro entre os orientais, o que chamava muita atenção para si e causou  muita  ira e inveja de pessoas a sua volta, principalmente a gueixa mais bela da okiya a Hatsumomo, que tenta fazer da sua vida um inferno.

Sayiuri, Mameha e Hatsumomo (cena do filme de 2005)
É complicado falar desse livro sem me perder em elogios, pois, adoro-o. Gostei tanto da história, me emocionei TANTO que senti até "depressão pós livro". (risos)

A primeira coisa  que me chamou atenção nele foi a narração. A narrativa é bela, quase poética, Sayuri nos faz entrar em sua história e vivenciarmos cada momento como se fôssemos ela mesma. Ela conta os fatos e descreve tudo de uma maneira muito peculiar já que gosta de fazer comparações muito bem humoradas.  
Arthur Golden o autor soube escrever de uma  maneira que deu vida a essa história totalmente fictícia,  quando terminei o livro a história me pareceu tão real que eu quase acreditei que o autor realmente entrevistou a gueixa, transcreveu suas memórias para papel e que apenas quis negar o fato.

Posso dizer que é uma história profunda, fascinante, que nos faz entrar na cultura japonesa e querer conhecer mais (eu ao menos fiquei muito interessada depois dele).

Um dos milhares de trechinhos maravilhosos:
"Acho que ninguém pode falar da dor enquanto ainda a sofre."