18 outubro 2013

A Vagabunda, de Gabriele Colette

Foi totalmente por acaso que conheci essa obra, mas não foi por acaso que eu adorei lê-la...
O livro sobre o qual venho falar hoje é A Vagabunda da escritora francesa Gabriele Colette.

Eu nunca tinha ouvido falar deste livro, até que um dia fuçando o skoob da querida Eni atrás de um presentinho pra seu aniversário, vi que este livro constava na sua lista de desejados. Comprei-o e quando chegou, resolvi dar uma folheada...quando vi já estava no meio do livro e já tinha lido metade!

Na época eu não completei a leitura porque quis enviar logo o presente mas assim que surgiu a oportunidade eu o comprei para mim e retornei a leitura rapidamente.
Posso dizer que a escrita de Colette, ao menos nesse romance, é uma escrita feminina e eu diria que até um pouco feminista, porém sem ser pedante. A narração é divertida e espontânea como se a personagem fosse uma velha amiga nos contando os fatos de sua vida. Quem narra a história é Renée Nerée, uma atriz-cantora que devido ao sofrimento que passou devido as traições de seu esposo no último casamento, resolveu que seria uma mulher livre e não se deixaria prender a nenhum um homem para não passar pelo que passou antes.

Só que o inevitável acontece e Nerée ganha um pretendente que a corteja durante dias e dias até que conquista um pouco de sua atenção e quando ela dá por si está apaixonada...
O que vemos a partir daí é o relato de suas dúvidas, seus desejos, seus embates consigo mesma. Porque de um lado ela quer continuar a ser livre, quer continuar a se sustentar e não quer pensar em casamentos e filhos e por outro que se entregar ao amor, a paixão, ao prazer.

O que adorei é que a autora soube conduzir tudo sem deixar aquele ar piegas na história. É uma história de amor, mas não é só isso. É a história de uma mulher pensando na sua condição e tentando achar um lugar para si no mundo.

A história é vivida no começo dos anos 20 e as descrições de Renée nos situam bem, os shows, a vida e o dia-a-dia dos artistas da noite nos é contada por ela em recortes mas de maneira muito gostosa de se ler. E lembro que ao começar a ler eu fiquei cismada com o título do livro, mas depois eu entendi bem o porque de Colette tê-lo usado...nos anos 20 algumas mulheres já eram menos dependentes dos homens e abusavam de alguma liberdade, mas normalmente as que optavam por isso eram muito mal vistas então talvez tenha sido por isso a escolha do título do livro.