22 outubro 2013

Breve Romance de Sonho, de Arthur Schinitzler

Breve Romance de Sonho é um livro do escritor austríaco Arthur Schnitzler que conheci enquanto fazia a leitura do Guia de leitura – 100 Autores que você precisa ler.

Enquanto lia esse breve guia, grifei vários autores que queria conhecer e foi assim que a crítica sobre a obra do Schnintzler me chamou a atenção, porque o crítico que falou sobre ele citou que o último filme do diretor Stanley Kubrick de Olhos Bem Fechados (por sinal um dos filmes da minha lista de favoritos) foi baseado nesse livro dele. A partir desse momento eu soube que tinha que lê-lo e foi o que fiz.

A história é narrada em terceira pessoa e é sobre acontecimentos que se passam em alguns dias na vida de um médico, o Dr. Fridolin. Depois de um certo baile que o médico vai com sua esposa os dois no dia seguinte ao conversarem, começam a fazer revelações um para o outro de desejos e situações que antes nunca haviam contado um ao outro de seus passados. Nessa ocasião, Albertine, a esposa de Fridolin confessa a ele que em uma viagem que fizeram há muito tempo ela conheceu de vista um homem que mexeu tanto com ela que por pouco, ela não abandonou tudo apenas para ter uma aventura com ele. Logo após essa revelação, ele é chamado na casa de um paciente moribundo e sai ainda atordoado para atendê-lo. Diante dessa confissão o médico que antes tinha plena confiança na mulher passa por uma profusão de sentimentos relacionados a ela. Passa  a noite fora, vive situações inusitadas e conhece pessoas estranhas...

Fazendo uma comparação, notei que no filme o diretor habituou o livro a dias mais atuais. No livro eu não pude dizer ao certo em que época se passa a história mas com certeza coches e lamparinas não são objetos que se encontram muito hoje em dia...Fora isso a adaptação livro x filme é quase perfeita com detalhes muito pequenos de diferença e alguns no filme foram até ampliados para dar uma sensação maior na história.

No livro em si uma coisa que me chamou logo a atenção, foi a maneira como a história corre...é algo dinâmico, mas ao mesmo tempo denso e quando concluí a leitura e fui pesquisar mais sobre a obra eu soube que o autor costumava usar da técnica de fluxo de consciência, o que me deixou muito espantada porque eu não tenho o costume de conseguir ler livros assim...normalmente eu os acho muito complexos e outras vezes enfadonhos o que não ocorreu de maneira alguma na leitura dessa história.

Outro ponto interessante é a maneira que o autor penetra no psicológico do personagem e nos faz viajar rumo a mente desse homem que se atormenta com questões de sua vida. Depois eu fiquei sabendo que Schnitzler era muito amigo de Sigmund Freud e que essa amizade parece ter influenciado na sua maneira de escrever.

O livro é curto. Como o nome diz é um Breve Romance e eu posso considerar mesmo que há muito de sonho nele pois é mesmo um livro muito onírico, cheio de símbolos e significados. É uma leitura tão absorvente que se você dedicar algumas horas acaba e nem sente...eu porém adiei o máximo a leitura para aproveitar cada palavra e quando terminei fiquei com aquele sentimento de desolação, quando algo maravilhoso chega ao fim.