05 outubro 2013

Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei, de Paulo Coelho

Sempre fui distante de Paulo Coelho. Talvez por birra ou por não aceitá-lo como membro da Academia Brasileira de Letras - confesso, uma das minhas tolices sem fundamento algum, tendo em vista que até o Sarney (#thegodfather) é membro. O fato é que passei um bom tempo somente com as leituras de "O Alquimista", "O Diário de um Mago" e "Brida", esquecidas em uma gaveta qualquer.

Este mês, recebi de presente da querida Enimara o livro "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei", lançado pela coleção Paulo Coelho, sem ano expresso no exemplar (em uma rápida pesquisa, tomei nota de que data de 1994). O título incomum chamou minha atenção e tentei esquecer supostas referências ao autor. Algumas vezes, é necessário recriar mentalmente uma situação para que você possa entrar em uma nova experiência sem preconceitos. E foi exatamente isso o que fiz.

A história do livro traz como protagonista uma moça chamada Pilar, fraca e medrosa de corpo e espírito, cuja única distração é estudar para concurso público em uma pequena cidade espanhola. Pilar alimenta as saudades de um amor iniciado na infância e "abafado" quando o sujeito vai embora e entra para o seminário. Por apego ao debate, vamos chamá-lo de "Mr.Nobody", já que em nenhum momento do livro o nome do seminarista aparece.

A moça interiorana fica sabendo que Mr.Nobody vai dar uma palestra em uma cidade próxima e decidi ir até lá para conferir de perto como o grande amor da sua vida está. Quando se encontram, grandes mudanças começam a acontecer na vida de Pilar e do seminarista. Ambos precisam golpear seus medos, traumas e receios, já que essa é a única forma de encarar de frente os mistérios que estão por vir.

É um livro interessante, com brilho próprio, apesar da quantidade enorme de clichês. Gostei das passagens bem sacadas sobre procurar uma vida com sentido, repleta de propósito. "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei" fala sobre aceitar riscos, viver de forma plena, redescobrindo a verdade do nosso interior nos instantes mágicos que acontecem do nascer ao pôr do sol.



Outro detalhe que vale nota é a referência à Deusa, à Face Feminina de Deus, exposta ali como Nossa Senhora. Vale lembrar que Paulo Coelho ganhou fama mundial ao personificar a imagem mística do mago, do homem que está em busca da evolução espiritual. Portanto, esperem passagens bíblicas e referências a símbolos religiosos das mais diversas culturas.

Para encerrar, deixo uma das frases que destaquei na leitura do livro:

"(...) Ser capaz de dominar o corpo é ser capaz de dominar o espírito". (pág.128)