17 outubro 2013

O Amor Mora ao Lado - Debbie Macomber

Uma pausa entre as leituras técnicas e as fórmulas matemáticas me levaram à estante procurando por entretenimento e distração, só não previa que depois de passar os olhos pelo primeiro capítulo, eu não conseguiria mais parar de ler este livro! Minto. Parei só para fazer um café e me aconchegar mais no sofá, debaixo dos cobertores.

Apaixonados por gatos e historietas de amor, vão se deliciar com a narrativa de Debbie Macomber, que logo no prefácio conta que escreveu O Amor Mora ao Lado (do original Family affair) à pedidos de amigos que gostariam de ler um romance com um gato como protagonista.
Esta edição da Editora Novo Conceito, com diagramação e arte editorial impecáveis, contém fonte grandes para maior preenchimento das páginas, mas que caberiam facilmente num livreto de bolso de 64 páginas.


Lacey Lancaster tinha planos com Peter, após o casamento almejava ter filhos, ser mãe e esposa exemplar, amava e confiava no marido, até descobrir que ele a traía com a loira&gostosa Michelle, e em seguida vem a abrupta separação que lhe tiraria o alicerce de sustentação financeira e emocional.
Nossa protagonista magoada e humilhada, decide então se mudar de cidade e construir uma nova vida para tentar superar o choque psicológico, mas as coisas não são tão fáceis assim quanto parecem.
Em São Francisco, Lacey consegue um emprego numa loja de decoração, sua gatinha Cléo faz-lhe companhia no apartamento alugado, com o pouco que ganha, mal consegue comprar comida, e o lado emocional ainda abalado, a faz cair numa autopiedade que lhe tira a coragem para enfrentar o chefe, e os problemas mais triviais da sua cotidiana e insossa vida.
Depois de dias exaustivos de trabalho, horas extras não pagas e a solidão que só é superada com os afagos de gatinha Cléo, tudo o que deseja e merece, é descansar em seu lar, mas até esse direito lhe é tirado pelos vizinhos que no apartamento ao lado, discutem aos berros seu relacionamento.
Até Cléo vem se comportando de maneira estranha, miados longos e inquietos deixam Lacey sem saber o que fazer, nunca havia convivido com uma gata antes, e o som da discussão alheia que a atordoam, fazem-na tomar coragem e bater na porta do vizinho para pedir que as conversas fossem mantidas em tom mais ameno.


Quem a recebe na porta é o atraente vizinho Jack Walker, que no período de um ano deu algumas investidas em Lacey, como convites para jantar e envio de flores, sempre tentando puxar conversa nos corredores do prédio, mas Lacey criou por Jack uma certa ojeriza, não somente pelas discussões acaloradas com a 'namorada' Sarah, mas por já tê-lo visto com outras mulheres e tomar para si a impressão que fez de todos os homens: não valer nada.
Tudo o que Lacey não quer, é se render a um Don Juan descarado, nem se envolver num relacionamento que só a faria sofrer, Jack estava completamente fora de cogitação, Jack e qualquer outro homem que surgisse em sua vida, a decepção da traição e do casamento mal sucedido fora demasiada dolorida para fazer Lacey se interessar por outra pessoa em tão curto tempo. Mas sejamos compreensivos, afinal, 'cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça'.

Depois de uma conversa curta e o pedido feito à porta do vizinho, Lacey volta ao seu apartamento e ao entrar em casa, o susto! Cléo estava cruzando com um gato vira-lata jamais visto, como ele foi parar ali dentro? E oh meu deus, sim, Cléo estava no cio!
O vira-latas que desvirginou Cléo era Cão, ninguém menos que o gato do vizinho Jack, e suas vidas, literalmente se cruzam a partir dali, porque Lacey suspeita de que a gatinha esteja prenha e na sua concepção, o dono de Cão deveria ajudar nas despesas com o veterinário, já que Cléo, da raça abissínia, sequer teve a chance de cruzar com um felino com pedigree como fora planejado.
Para Jack, sempre gentil e prestativo, foi a oportunidade de aproximar-se de Lacey para mais algumas investidas, o que deixa Lacey em apavoro, mas como o título denota, o amor está logo ali, à uma porta de distância, e nem tudo é o que parece ser...
Nessa altura da história, basta seguirmos a lógica e se deixar levar pelos acontecimentos paralelos, e da influência que os coadjuvantes exercem sobre as decisões de Lacey.


Ignorando os clichês e parando com as descrições por aqui, conforme a história vai se desenrolando e a visão de Lacey quanto a Jack modificando-se, sua coragem e autoestima crescem com o virar das páginas, as coisas se tornam um pouco previsíveis, mas não consegui largar o livro, foram três horas contínuas de leitura que levaram à um desfecho digno de qualquer comédia romântica americana. O que acontece nesse ínterim, e como acaba essa história, só você lendo para saber. Recomendo com três estrelas.

A norte-americana Debbie Macomber
O que mais me agradou foi como a autora conduz a narrativa de um capítulo para o outro, e como tornou a história dos felinos essencial na obra, 139 páginas agradáveis de ler, com desenhos de gatinhos nas páginas, e no final, a escritora acrescentou receitas de petiscos caseiros para seus gatos, achei a ideia genial! Além disso, nas últimas páginas consta o primeiro capítulo da obra que a tornou best-seller do The New York Times, A Pousada Rose Harbor. Confesso que fiquei tentada a ler os capítulos seguintes. Com isso notei que 'a fórmula' de Debbie Macomber para tornar-se uma escritora afamada, vão a partir das mudanças repentinas na vida de uma mulher, embasadas em perdas trágicas e decepções amorosas.

Até a próxima leitura.