26 novembro 2013

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

A primeira vez que tive contato com esta obra, eu devia ter uns 14 anos. Li porque meu pai contou sobre e a maneira como ele falou da história me deixou muito curiosa. Então consegui um e-Book na época e o li...
Isso já faz um bom tempo, mas o fato é que esse livro (e o 1984 do George Orwell) foi um livro que me marcou muito e basicamente todos os livros que li depois deles foram classificados de D.a.m.n.(Depois do Admirável Mundo Novo). 
Pode parecer exagero mas para mim não é e acho que para muitos leitores que conheceram essa obra do Huxley também não. O Admirável Mundo Novo foi um livro tão diferente para mim na época em que li que nunca esqueci seu enredo totalmente (mesmo eu tendo um histórico de péssima memória) e o fim do livro ficou marcado na mente.
Porém por esses dias eu resolvi relê-lo e relembrar a história. E principalmente, ver quais seriam as minhas sensações em relação ao livro agora... Só constatei  que não mudei um centímetro da minha opinião em relação ao livro. É O livro.
Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley  é uma distopia. Na época em que li, pensava ser Ficção Científica, porque não conhecia outra categoria em que encaixá-lo. 

A história se passa em uma Londres futurística onde as crianças não nascem mais da maneira "convencional", elas são criadas em laboratórios e são condicionadas a ser e seguir certas funções dentro dessa nova sociedade totalmente feliz. O ideal aqui é o equilíbrio e para que isso fosse alcançado, as pessoas passaram a não ter mais parentesco, umas com as outras. As famílias acabaram e o importante passou a ser a comunidade. Sentimentos e individualismo são considerados atitudes "anti sociais". Porém "cada um pertence a todos" e o soma que é uma espécie de droga da felicidade sem efeitos colaterais e é distribuído livremente para que as pessoas tomem sempre que se sentirem aborrecidas. A felicidade aqui é obrigatória e todos tem agir de acordo com as regras.

Não vou mentir para ninguém, que até nessa releitura eu tive dificuldade de ultrapassar pelas primeiras páginas do livro. O fato de ser um dos meus livros preferidos não significa que eu acho o ADMN um livro fácil, muito pelo contrário, é um livro denso e as primeiras páginas são fáceis de se abandonar se você não se dedicar um pouco. É que o autor precisou primeiramente incluir o leitor em toda aquela atmosfera nova, e explicar o funcionamento dessa sociedade, as pessoas criadas nelas e que se dividem em: Alfas, Betas, Deltas são as designadas aos cargos e funções mais privilegiados e temos Gamas, Ípsilons que são condicionados a funções inferiores e até suas aparências e roupas refletem isso. Huxley demonstra tudo em detalhes. As salas clinicamente limpas, a música sintética, o cinema dos sentidos, os jogos coletivos, o fim do individualismo. No Admirável mundo Novo, ninguém pensa, porque pensar é indispensável e só causa infelicidade. No centro da narrativa temos três personagens principais: Lenina Crowne, Bernard Marx e Jonh "O Selvagem".

Como sempre acontece em romances distópicos, algo acontece para "estremecer" a base da sociedade e aqui no caso é a descoberta desse "selvagem" nascido de uma ex-habitante dessa sociadade perfeita, que se ao se machucar em uma aldeia em Malpaís, acabou se perdendo e sendo obrigada a viver lá. Dando a luz a Jonh que acabou sendo criado na dualidade, pois de um lado ouvia desde pequeno as histórias da mãe que nunca se recuperou de ter saído daquela Londres perfeita e viveu maior parte de seus dias entorpecida por drogas que nem de longe como ela mesmo dizia pareciam com o maravilhoso soma. 
Por outro lado ele ouvia aleatoriamente os ensinamentos de pessoas da aldeia que ainda tinham traços de religiosidade, moral e tudo aquilo que sua mãe fora condicionada a não ter. O conflito interno do personagem é grande e muito mais quando ele aprende a ler e passa a pensar e questionar as coisas mais fortemente...Aí ele conhece Bernard Marx que pensa em como ele seria um objeto de estudo valioso e que fará com que ele se torne conhecido e se oferece para levá-lo para Londres junto com sua mãe. O Selvagem aceita e conhece também Lenina, por quem começa a ter sentimentos dos quais ele só ouvira falar no único livro que lera na vida: "Obras Completas" de Willian Shakespeare.

A partir do momento que o Selvagem é levado para Londres, ele começa a ver a fragilidade que essa nova sociedade tem...as pessoas são superficiais e frívolas, só ligam para o prazer e estão sempre "falsamente felizes". Quando ele começa a questionar isso, as coisas perdem o rumo e é nesse momento que Huxley nos mostra sua genialidade nos diálogos e nos questionamentos que se abrem. 

Indico muito!