27 dezembro 2013

Florbela Espanca: Sonetos de amargura e beleza...






"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida..."
Livro de Mágoas.













Hoje venho falar sobre uma mulher admirável, e que pra mim é a maior poetisa que já habitou nesse mundo:Florbela Espanca
Nascida seis anos antes do começo do século XX, em 8 de dezembro, Flor Bela de Alma da Conceição Espanca foi uma poetisa portuguesa. Viveu apenas 36 anos, mas produziu em seu curto período de vida grandes versos, uma obra marcada pelo sofrimento, angústia e tristeza. E que forma linda ela escolheu para extravasar seus sentimentos conflitantes. O teor pungente e sofrido de seus sonetos são densos, melancólicos, ela escrevia como se falasse aos seus leitores... A mistura de amargura e beleza de seus versos são uma verdadeira obra de arte literária.
Casou-se mais de uma vez, mas nenhum de seus relacionamentos foi duradouro. Seu primeiro casamento data de 1913, com Alberto de Jesus. Em 1921 contraiu matrimônio novamente, com Antônio Guimarães. Veio o segundo divórcio em 1925.

Em 1919 foi lançada sua primeira obra: Livro de Mágoas. É composto de 32 sonetos que Florbela dedicou a seu pai e a seu irmão. Nota-se a atmosfera decadente em seus versos, que tratam de dor, saudade, e, sobretudo, a mágoa que dá nome ao livro.
Florbela escrevia versos que falavam de uma vida breve. Seriam pequenos 'sinais' de que não viveria tanto tempo?


"E os meus vinte e três anos... (Sou tão nova!)
Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida!...”
Responde a minha Dor: “Que linda a cova!”"
Livro de Mágoas.


"E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
Livro de Mágoas.

O segundo livro de Florbela que tive a chance de ler foi Livro de Sóror Saudade, publicado em 1923,
composto de 36 sonetos que falam sobre um amor avassalador. Amor este que lhe devolve a a vontade de viver. Diferente de Livro de Mágoas, o tema da saudade não é tão profundo nessa obra. Infelizmente não possuo nenhum livro seu [ainda]. Os que li foram em Pdf, mas pretendo comprar tão logo surja uma oportunidade... 

Sua vida se torna ainda mais triste depois que seu irmão vem a falecer num acidente de avião em 1927. Acometida com uma doença mental, ela tenta o suicídio um ano depois da morte de seu irmão. Escreveu ainda Charneca em Flor, Diário do Último Ano, entre outros trabalhos. Em 1930, tenta o suicídio mais duas vezes. Diagnosticada com um edema pulmonar, Florbela entrega-se completamente à cova. Em 8 de dezembro de 1930, data em que completou 36 anos, toma uma dose de barbitúricos e dessa vez não escapa da morte...

Apesar de sua curta existência, o legado literário de Florbela Espanca ultrapassou os limites de sua terra lusitana e se propagou como um dos grandes nomes da Literatura e Poesia da Língua Portuguesa. Serviu de influência a grandes mestres literários e até hoje encanta e enternece os que se impressionam com sua "bela tristeza".