05 dezembro 2013

Livro em Pauta: Amor, em suas diversas facetas - Amaríssimo

De tão especial, esta obra merece todo o nosso destaque em dezembro.
Lançado em novembro/13 pela Editora Ocelote, o livro de contos Amaríssimo, escrito pela jovem e talentosa Clarice Paes, será o nosso Livro em Pauta do mês, onde cada uma das autoras do Dose Literária, em posse de seus exemplares, comentará sobre a obra em suas resenhas, escolhendo os melhores contos da obra, as frases de destaque, e o que mais lhe chamar atenção, durante todo o mês. Serão 5 posts ao todo, sobre uma mesma obra. E por mais 'repetitivo' que isso possa parecer, o leitor perceberá ao longo desses cinco posts sobre o Amaríssimo, que há várias opiniões diferentes sobre uma mesma obra, sobre um mesmo enredo, personagens, gênero literário, etc.
Não sei vocês, mas adoro saber a opinião das minhas amigas sobre um mesmo livro lido. :)


Clarice Paes descreveu em treze curtos contos, várias facetas do amor, nas 120 páginas lemos amores da vida toda, amor de infância, amor conquistado, amor perdido, sonhado, vivido, eternos, tímidos e avassaladores, de vários sabores. Li 'numa sentada só'. Literalmente. Só parei no fim, e levei meia tarde para concluí-lo.

Clarice Paes

Neste livro de estreia vi uma jovem escritora de talento notável, com frases marcantes, narrativa suave aos olhos, tocante à nossas memórias mais pessoais, que desperta o romantismo, que faz sonhar, sorrir, imaginar, suspirar fundo.
O amor aqui é cantado com saudade, lembrado com suspiros, no kamikaze da entrega e das declarações mútuas. O amor entre lágrimas. O amor correspondido, incondicional, eterno. O amor prometido, o inocente, derretido, de pele e de suor, o amor confessado, ao pé do ouvido, o amor bobo, desajeitado, escrito, cúmplice, o perdido, desiludido, intensidade em sutis toques, sabores e cores, e outras definições que damos a um sentimento tão único, mas nem sempre racional.

Amando sozinho no silêncio, no escuro do quarto, ou no mais belo fim de tarde de mãos dadas, olhares horizontais, perdidos, calmos, confiança e entrega nos sorrisos mútuos, todo o preenchimento e o calor, o doce, as vezes meio-amargo, agridoce; síntese dos cinco sentidos do amor que muitos de nós já experimentamos.
Capa mais sugestiva que essa, que casa tão perfeitamente com o conteúdo, desconheço. Aliás, meus parabéns ao editor e amigo Lucio Gonçalves, e toda a equipe que elaborou a obra, o resultado do trabalho é de primeira qualidade!


Gostei especialmente dos contos Olhos de água doce, em que a impetuosa e apaixonada menina dos olhos de água doce abandona o altar para buscar refúgio e compreensão nos braços do amigo, do amor, do menino de olhos cor de avelã; O relógio, fala sobre a espera infinda e pela angústia, cada segundo do ponteiro marca a aflição e pensamentos mil à espera do amado (quem nunca?); Casamento é curtinho mas uma delicinha, o amigo se entrega em tom de brincadeira, só que não, pedindo a amiga em casamento. Menina de mar descreve o primeiro amor entre Lucas e Marina; Lirismos para um amor qualquer é em tom confessional, marcado pela intensidade e pelas declarações, sentimentos íntimos que, sem dúvida, muitos de nós já conhecemos; Ela, é observada enquanto dorme, pelo amante apaixonado; Em (conversas), o apaixonado quer 'conversar' sem palavras gastas, vazias ou promessas, a conversa que ele quer ter com a amada, é outra!

Há muito tempo não lia contos tão deliciosos e doces como um suspiro ou um algodão-doce derretendo na boca, e carregadas de descrições honestas acerca do amor, sem fantasia ou realismo em demasia, um toque sutil de ambos os universos em frases merecedoras de todas as marcações e grifos, selecionei as que mais gostei, para que possas provar também um pedacinho desta saborosa obra:

Começou aquela noite em que você foi meu, só meu. Eu não sabia o que ia acontecer, mas eu já te abraçava, puxava para perto – não querendo soltar nunca mais, com medo de te perder, como eu perdi. Naquela noite, eu segurei teus cabelos pelas raízes – querendo também me enraizar em você, sua mente, seu coração. Eu te amei, como eu nunca me permiti amar alguém – amei sem pensar, só sentindo.
Lirismos para um amor qualquer – Pg. 71
Tudo era mágico quando estávamos juntos, numa descrição mais surreal e menos verdadeira do que realmente era. Ela o esperaria, afinal. Sabia o que desejava, e ela o desejava. Quando ele sorria o sorriso que era só dele, ela sabia que ele a queria também. E, se estava atrasado, teria um bom motivo.
O relógio – Pg. 33
Sonhou uma vez que o mar lhe lambia o corpo, a engolia em ondas consecutivas – e ela se esvaía de ar, afogava-se, porém, não morria. O que a matava era também o que a alimentava, era feita dos próprios erros. E vice-versa.
Menina de mar – Pg. 49
Contigo eu quero um silêncio recheado, uma libertinagem muda, um calor calado. Quero apenas o toque, o tato, o olfato, o cheiro, o gosto, o sentido. Os sons que se percam no vácuo sem fim.
(conversas) – Pg. 103 


Um exemplar da obra será sorteado no dia 29 de dezembro aqui no Dose, acesse a página Concursos Culturais para participar.

Blog da Editora Ocelote: http://editoraocelote.blogspot.com.br/
Blog da escritora Clarice Paes: http://claricepaes.blogspot.com.br/