16 janeiro 2014

Conto nº 7 - Concurso Cultural Amaríssimo

O conto a seguir foi escrito por Lolita Oliveira de Recife/PE, e é um dentre os cinco melhores contos escolhidos à serem publicados durante o mês de janeiro no Dose Literária.
O conto concorreu ao livro Amaríssimo da contista Clarice Paes, sorteado no dia 10/01 referente ao Concurso Cultural realizado em dezembro/2013.
Para concorrer ao livro o participante deveria escrever um curto conto sobre o amor.

Quem és tu...?
Nua, deitada nas margens do rio das ilusões, estava ela. De bruços, pele fadigada do sol, cabelos escuros como a noite que não procede do bem, olhos marrons terra penetravam a minha alma, me caçoavam. Tua boca cor jambo sorria para mim, um semi-sorriso como se soubesse algo sobre mim que nem eu sei. Eras a própria imagem do amor e pureza, pois nunca em minha simples existência havia visto igual. Minha cabeça rodou, minha pressão baixou, o coração acelerou e as forças me deixaram. Fiquei completamente prostrado por tamanha divindade em movimento, és o que vejo e nem ao menos sei teu nome, mas te chamarei de meu lindo sonho, codinome desejo e sobrenome mistério. Perderia-me nas tuas perigosas curvas sem nenhum porquê, ó lenda viva, diva de todos os meus dias, a cada respiração tua arrepias todo o meu corpo, fazes amor comigo a cada piscar de teus olhos. Quero sentir-te profundamente ó dama da noite, penetrar-te-e a cada batida do meu coração, deusa do meu universo, rainha de tudo que tenho, condutora de mim, possuidora de meu ser, juíza de minha sentença, advogada de minha condenação. Nunca vi amor mais puro, sem toques, luxúria ou lascívia, sonho contigo todas as noites ó luz de meus olhos, princesa de meu clarão, vinda dos mais altos céus, és muito, muito bela, falta-me o fôlego para dizer o quanto. Fazem séculos que esperava eu por ti e, agora que chegastes não sei como, comportar-me diante de ti, ó avassaladora, dona, ponho-me de joelhos para ti e por ti querida de meus anseios, perpétua, cândida, amada e imaculada concubina, minha dama de companhia. Nas margens do rio das ilusões olhei fixamente para aquela visão incandescente que também olhava-me de fato, tornara-se insustentável, desalmada. Sentei-me, chorei dolorosa e copiosamente...

Por: Lolita Oliveira