02 janeiro 2014

Crônica de um 'velho safado' louco... Charles Bukowski

"Não sei quanto às outras pessoas, mas quando me abaixo para colocar os sapatos de manhã, penso, Cristo, o que mais agora?"

93 anos se passaram desde o dia 16 de Agosto de 1920, quando uma mulher deu à luz a quem viria a ser um dos melhores escritores de literatura 'suja' até então conhecidos: Charles Bukowski, o 'velho Buk' ou 'velho safado' para os mais íntimos... 
Nascido na Alemanha, veio para os EUA ainda pequeno, e cresceu suportando a difícil convivência com seu pai. Na escola, não era dos mais populares, e em meio a tantas adversidades, encontra na bebida uma companheira leal para fazer esquecer de seus problemas e fugir da dura realidade de sua existência...
Na adolescência começou a escrever poemas, teve seu primeiro conto publicado em 1944, aos 24 anos. Poesias foram publicadas quando já passava dos 30. 
Los Angeles foi seu lar por cinquenta longos anos, e essa cidade conheceu seus escritos e testemunhou sua embriaguez. Por causa da bebida, foi internado várias vezes com crises de hemorragia e disfunções por abuso de álcool e cigarro. 

Mas o velho Buk não viveu sua vida apenas com sua obra escrita. Trabalhou também nos Correios, por 14 anos. Tem uma filha, fruto de um dos seus dois casamentos. Na carreira literária, teve mais de 45 livros publicados ao longo da vida, e neles encontramos temas que refletem a própria vida do autor: seus desencontros, problemas com álcool, jogatina, sexo sujo e depravado, corridas de cavalos, prostitutas e relatos crus de suas experiências mais bizarras. 
Sua literatura tem muito dos Beats, mesmo sem ter tido contato direto com os representantes desse estilo literário. Mas a obra 'marginal' beat está ali, de forma perceptível... 

Seu humor é cínico, depravado, usa da ironia sobre si mesmo, relata seus infortúnios de forma criativa, mordaz e inteligente. A obra de Bukowski é sem preâmbulos. Não enrola, ele é 'duro na queda'. De forma quase cruel, sua 'autobiografia' ao longo de seus livros faz o leitor se identificar com ele, com sua vida e com seus personagens. 
De seus romances publicados, o primeiro que li foi Hollywood, e apesar de gostar tanto do autor, o livro me frustrou um pouco... Acho que o motivo foi o de eu não ter me reconhecido na maioria daquelas páginas. Mas não desisti da literatura do velho safado e parti para Pulp, que me cativou... Li outros depois... Seu pessimismo e conformismo despertaram a paixão que sinto por suas frases despidas de esperança em dias melhores... Sua falta de perspectivas, relações de amor - e por que não dizer - desastrosas fugas de problemas cotidianos - são a base de seus livros, entremeados de jogatina, ressaca, "Ereções, ejaculações e exibicionismos..."

Triste dizer que uma pneumonia em 9 de março de 1994, ceifou a vida desse grande escritor, visto por alguns como um lixo bêbado e inadequado, e por [muitos] outros como gênio alcoólatra, pervertido e que - sobretudo - soube fazer de seu "Fabulário geral do delírio cotidiano" uma verdadeira obra de arte...






"Eu tinha talento, tenho talento. às vezes olhava minhas mãos e compreendia que podia ter sido um grande pianista. Mas o que tinham feito minhas mãos? Coçado o saco, preenchido cheques, amarrado cadarços, puxado descargas de banheiro etc. Desperdicei minhas mãos. E minha mente." Pulp.






Infelizmente não possuo todos os seus livros publicados no Brasil, mas minha lista está aumentando de forma considerável.. Espero poder falar mais sobre o 'velho Buk' mais adiante...