14 janeiro 2014

Garota, Interrompida de Susanna Kaysen

Conheço a história do livro Garota, Interrompida da autora Susanna Kaysen já tem bastante tempo, por causa da versão cinematográfica de 1999 estrelada por Winona Ryder interpretando a própria Susanna e Angelina Jolie como Lisa. Sou fã do filme e o vi muitas vezes, mas até então não havia lido a história na íntegra.

O livro é o relato biográfico da própria escritora, contando sobre o que aconteceu em sua vida no ano de 1967 por volta de seus 18 anos quando foi levada a se internar em uma clínica psiquiátrica depois de uma tentativa de suicídio.

Porém Susanna acabou ficando durante 2 anos internada e só soube seu diagnóstico 25 anos depois, Transtorno de Personalidade Limítrofe (eu conhecia como Borderline). 

Susanna conta sobre o seu dia-a-dia "naquele lugar" como Lisa (uma de suas amigas internas) gosta de se referir a clínica. Fala sobre as outras pacientes, sobre os problemas que aconteciam as vezes, sobre os métodos usados para tratá-las (alguns que me deixaram de boca aberta), as expectativas, os anseios, tudo. É um relato leve e verdadeiro de tudo o que acontecia  com aquelas pessoas. E achei bem nova essa sensação de leveza para um assunto tão denso como este.
Susanna estando dentro daquele ambiente teve a sensibilidade para ver as sutilezas, separar a loucura daquelas mulheres delas mesmas e ver ali, pessoas, com quem ela aprendeu a conviver e gostar.

Garota, Interrompida (1999)
Achei a leitura muito fluída. A escritora não procurou fazer uma biografia extensa, cheia de rodeios ou grandes acontecimentos... acho que ela se focou apenas no que aconteceu naquela época e foi contando. Achei tudo sincero e simples, por isso me tocou. Porém uma coisa me deixou meio perdida no começo (depois me habituei) a história é contada de forma não cronológica. Os capítulos são bem curtos e os fatos não acontecem exatamente um depois do outro complementando o que aconteceu no anterior. Só notei isso lá pelo meio do livro, quando alguns personagens que já tinham tomado outro rumo, voltaram para a narrativa. Querendo ou não, conhecendo o filme antes (e adorando-o) eu não tive como evitar comparações, mas posso dizer que as mudanças foram mínimas como: características físicas de alguns personagens, falta de uns poucos e alguns acontecimentos diferentes. No geral acho que um complementou o outro.

Por fim, uma frase que grifei:
Interrompida em sua música: tal qual acontecera com a minha vida, interrompida durante a música dos 17 anos, tal qual a vida dela, roubada e presa a uma tela; um momento congelado no tempo mais importante de todos os outros momentos, quaisquer que fossem ou que viessem a ser. Quem poderia recuperar isso?

Pintura: Garota Interrompida em sua música de Johannes Vermeer
A pintura é um complemento para o grifo, mas só entenderá direitinho quem ler o livro...