24 fevereiro 2014

Amêndoa - o erotismo muçulmano

Aqui está o livro que deve colocar os tais "Cinquenta tons de Cinza" em somente um tom de branco (rs).
Sempre tive muita curiosidade a respeito da literatura erótica em outras culturas, principalmente em países de cultura mais exótica como do oriente (falei sobre isso quando comentei o livro As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal).

Amêndoa - Um relato erótico  (título original L'AMANDE: RÉCIT INTIME) foi publicado em 2004 pela editora Objetiva. 
A autora é desconhecida, o que se sabe é que usa o pseudônimo Nedjma, tem cerca de 40 ou 50 anos e vive em um país do norte da África. Não me espanta a autora esconder-se por trás de um pseudônimo, pois deve haver ainda muita repressão contra as mulheres muçulmanas, ainda mais quando se trata de escrever livros eróticos com detalhes tão picantes. 
Acho que a literatura erótica ainda é um tabu em qualquer parte do mundo. Quando por acaso você diz que está lendo um livro considerado erótico, as pessoas olham como se fosse uma pervertida ou doente sexual.  
A literatura erótica tem sua beleza e é responsável por abrir mentes, quebrar as regras, é mais uma maneira de expressar o amor.


A personagem de Nedjma é a marroquina Brada da aldeia de Imchouk, que relata a história de sua vida e de seu amadurecimento sexual. Assim como as mulheres muçulmanas (e principalmente provincianas) foi obrigada a se casar com um homem muito mais velho, que não amava. Após algum tempo de um casamento fracassado e sem amor, decide fugir para Tânger, cidade "moderna" e lá vai descobrir um mundo completamente novo.
O livro que é um diário, intercala a história da vida de Brada - descoberta da sexualidade desde a infância, casamento arranjado, cultura árabe e o romance com Driss, homem da alta sociedade que conhece quando chega a Tânger e lhe apresenta o amor sob todos os seus aspectos.

"Este relato é antes de tudo uma história de alma e de carne. Um amor que diz seu nome, muitas vezes cruamente, que não é tolhido por moral alguma, fora a do coração. Por meio dessas linhas em que se misturam esperma e oração, tentei derrubar as paredes que hoje separam o celeste do terreno, o corpo da alma, o místico do erótico."
(Prólogo -  Página 5)

Driss, o amante de Brada, além de ter mostrado o lado bom do sexo que Brada não conhecia, pois foi casada a força com um homem que só a possuía para "procriar", também mostrou outras "experiências" que qualquer mulher muitas vezes não ousaria fazer. Isto tudo é narrado com o contraste e sua revolta com a submissão das mulheres muçulmanas.



Não conheço a publicação original que é o francês e a tradução para o português é cheia de passagens com muitas palavras "obscenas" ou como chamamos "palavões", mas que não tira a beleza da narrativa. Afinal, o sexo de certa forma é uma libertação da formalidade escrita.
Enfim, o livro tornou-se um dos meus favoritos da literatura erótica e para os que estão curiosos, só digo que pra ler devem estar com a mente e o coração aberto.


"Eu sabia que em meu sexo se aninhava o olho do ciclone. Mas ainda não sabia se eu era uma tempestade de areia, de neve ou de gelo. Só tinha medo de morrer sem ter explodido no céu Imchouk." (A amêndoa de Badra - página 87) 
Não quero me estender mais com os relatos, transformando em spoiler. Esse livro é para todos, principalmente para os homens entenderem um pouco da alma e da sexualidade feminina.

Minha avaliação:
Muito interessante!

Postagens relacionadas: