16 março 2014

Cem anos de solidão...

Uma leitura recente que fiz foi do livro Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. Meu contato com 'Gabo' foi apenas por meio de trechos soltos de suas obras, que me despertaram o interesse de conhecer sua escrita. Daí resolvi começar, por indicação de um amigo, pela obra mais conhecida dele, que inclusive ganhou o Prêmio Nobel da Literatura, em 1982... 
A experiência de início foi boa, a história corre em torno de uma família e suas várias gerações, desde que montaram um povoado chamado Macondo, até as guerras/revoluções em que algumas pessoas da família Buendía foram fuziladas por terem se envolvido nos conflitos sociais narrados no livro. 


O que achei estranho no livro foi a repetição dos nomes, os filhos vão tendo o mesmo nome do pai, que já era o nome do avô e por aí vai, e com as mulheres acontece o mesmo... A pessoa que resiste mais a passagem dos anos é Úrsula, que viveu entre 115 e 122 anos, aproximadamente. E ela distinguia traços de personalidade dos 'seus' a partir do nome dado a eles. Os José Arcádio eram sempre impulsivos, e os Aurelianos eram mais introspectivos. No decorrer da história a família que vai sendo descrita de geração em geração precisa descobrir um segredo, que consta nos escritos de um cigano chamado Melquíades, que era amigo do fundador da família, marido de Úrsula [o primeiro José Arcádio]. Nesses pergaminhos secretos está descrita toda a história dos Buendía e só serão decifrados quando o último da linhagem estiver prestes a falecer... 


A verdade é que a leitura é boa, porém um pouco cansativa, creio que devido a repetição dos nomes, o que me gerava algumas páginas relidas, a fim de tentar entender o que estava sendo narrado, e não me perder na leitura. Mas a curiosidade me levava a continuar lendo, pois não achei que valesse a pena abandonar o livro que, mesmo confuso em alguns momentos, me deixava curiosa sobre seu desfecho. O problema é que, ao terminá-lo, fiquei na dúvida se eu tinha realmente entendido o que o autor quis passar com sua obra. 


Um fator que achei interessante foram as descrições dos sentimentos e personalidades dos personagens. Cada um tem características bem parecidas mas agem de formas bem distintas, apesar de serem da mesma familia. Gabo consegue mesclar na história os amores, os de casamento ou os de amantes, e notei também certa melancolia no modo de viver de cada Buendía. Há até uma particularidade presente em seus personagens com sangue dos Buendía: olhos de desencanto, perdidos... A escrita de Gabriel García me lembrou um pouco a obra de Graciliano Ramos, em São Bernardo e Vidas secas. São histórias diferentes, mas a forma como foram escritas me soou familiar, bem como alguns trechos do 'enredo'... não sei bem explicar o porquê, mas me remete a lembrança dos livros de Graciliano. 

Uma coisa posso dizer sobre Cem anos de solidão: acompanhar as gerações da familia Buendía me deixaram triste, melancólica, pelo desfecho de alguns, pela desilusão de outros, como se a 'solidão' dos personagens tivesse sido transmitida a mim. Gabo escreveu de maneira bonita, apesar de ter me confundido... 
Em suma, não é um livro ruim, mas acho que o momento não foi apropriado para sua leitura... quem sabe um dia eu retorne às suas páginas, à Macondo...