23 março 2014

O blues Cósmico de Janis Joplin

Sob o signo de Capricórnio, a 19 de janeiro de 1943 nascia Janis Lyn, mais conhecida mundialmente uns anos depois como Janis Joplin, a voz branca e rouca do Blues. A coleção Livro-clipping da Ed. Martin Claret traz uma série de livros independentes, que falam sobre algumas figuras marcantes da música, da literatura e da história universal. Repleto de imagens e informações bibliográficas para quem procura saber ainda mais a respeito da figura central de cada livro, possui leitura fácil e cativante. Possuo 2 exemplares em meu acervo, embora tenha lido outros títulos. Um dos meus é o que fala sobre a vida conturbada de Janis Joplin.


Janis teve uma infância e adolescência difíceis, em Port Arthur, no Texas. Devido a sua aparência e maneira de pensar era excluída na escola e no meio social que frequentava. Em casa, a relação com a família não era ruim, mas fora da aparente segurança de seu lar os olhares de esguelha eram demais para a garota Janis, dona de uma personalidade forte e agressiva. Ela buscava aceitação onde vivia, e quando percebeu que seus trejeitos não se encaixavam no molde daquela pequena cidade, sua frustração aumentou, e seus problemas se acentuaram... A selvageria de sua vida era uma forma de afrontar aqueles que a rejeitaram. Mas ela se envolveu com pessoas mais 'barra-pesada', e na companhia delas, se afundava cada vez mais nas drogas... 
Sua carreira começou mesmo no final dos anos 60, quando tocava ao lado de uma banda chamada Big Brother and the Holding Company, mas logo ela se tornaria 'independente'. Sua carreira foi meteórica, e apesar das multidões que iam ao show para ver sua apresentação, Janis na verdade se sentia solitária. Em meio aos shows, ela se sentia bem, gostava de ver as pessoas conectadas com sua voz, mas por trás dos palcos, nos bastidores, os problemas com álcool, depressão e drogas atormentavam a cantora, bem como seus mal sucedidos lances amorosos...


"transava com todos, é claro, ela era tão livre... Justamente, ela era livre demais, ou melhor, sozinha..." 

O livro traz várias referências musicais, mostra sua discografia e possui também uma cronologia de sua vida. Alguns trechos foram separados por mim, tanto de suas entrevistas como de phrases memoráveis, em que é possível sentir toda a dor e angústia que Janis sentia, de se sentir estranha e alheia aos olhos do mundo... Suas influências musicais iam de Odetta a Bessie Smith. 




"Nunca fui capaz de controlar meus sentimentos, mantê-los lá dentro... Antes... isso estragava minha vida... sempre fui uma vítima de mim mesma. Eu fazia coisas erradas, fugia, ficava maluca. Agora faço esse sentimento trabalhar para mim, através da música, em vez de me destruir." 










No ano de sua morte, veio ao Brasil para conhecer o carnaval. Mal sabia que alguns meses depois, sua vida chegaria ao fim... Com o Blues, Janis se identificava, se encontrava na sonoridade rasgada, melancólica e entristecida. Para ela, "Blues é querer uma coisa que você não tem." Suas roupas e acessórios causavam estranheza para muitas pessoas, mas ela não ligava pra isso. Usava inúmeras pulseiras nos braços, a fim de esconder as marcas de picos. Possuía um visual hippie carregado que dava mais ênfase a sua personalidade arredia. A 'feinha' texana, dona de uma voz poderosa inconfundível, tinha um estilo único. 


"Todo mundo que tiver uma aparência esquisita se dana. Eu pareço bem estranha, mas faço o melhor que posso." 

No livro você pode encontrar várias entrevistas da época, e vai descobrir várias coisas a respeito da cantora branca com voz de negra. O organizador do livro, Atanásio Cosme, é o presidente do fã-clube de Janis Joplin Pearl White of Texas. Em quase 160 páginas, ele juntou um bom material sobre a vida de Janis e sua carreira, e qualquer pessoa que queira conhecer a cantora vai encontrar no livro uma boa fonte de informações. O livro possui algumas imagens de Janis, que vão desde a infância até sua aparição em palcos... Na madrugada de 4 de outubro de 1970, após ter voltado da rua onde havia ido para comprar cigarros, ela exagera na dose e é encontrada morta pela manhã... Um dia antes, ela havia acompanhado no estúdio o áudio instrumental da última música do álbum Pearl, e planejava gravar o vocal na manhã seguinte. Infelizmente, não deu... Aos 27 anos, a pérola do Blues se foi... 



"Morrera de tudo: uma dose regular de heroína puríssima, misturada a muitos anos de alcoolismo, muitos e muitos gramas de barbitúricos e anfetaminas. E algumas substâncias mais sutis como solidão, desespero, um tanto de masoquismo, um tanto de revolta, um tanto de loucura, os blues cósmicos..."

Para quem aprecia uma boa música, uma bela voz, eis uma boa pedida...