Por toda a eternidade, de Kristin Hannah

Não sabemos lidar com a transitoriedade, com a ideia da morte e do fim. Esse é um dos motivos de sucesso dos "temas apocalípticos" e suas profecias do extermínio humano. O discurso do fim catastrófico está presente no cinema, música, literatura, artes e, em especial, em muitas pregações religiosas. De forma mais concreta, a sensação de perda e fim invade nossas relações sociais por meio do luto.


A morte de um ente querido nos tira o chão, desequilibra o juízo, faz sangrar e gritar. Nos tornamos pequenos, infelizes e ovelhas desgarradas sem a presença da pessoa que nos é tão essencial. Como seguir em frente? Os profissionais com especialidade na área de Tanatologia devem escutar essa pergunta frequentemente. E é difícil encontrar alguma resposta. A escritora norte-americana Kristin Hannah faz essa mesma pergunta ao leitor no livro "Por toda a Eternidade" (original Fly away, tradução de Paulo Polzonoff Junior, editora Novo Conceito, 2014, págs. 400), uma obra sobre a dor esmagadora do adeus e as diversas tentativas de superação que somos obrigados a empreender se quisermos continuar respirando.

Na história, a famosa apresentadora Tully Hart perde a grande amiga, Kate Ryan, vitimada pelo câncer. Kate é a bússola, o farol, os pés, mente, coração, alma e chão de Tully. Com essa perda, ela desaba. O marido e os filhos de Kate enfrentam a dor de forma cortante e silenciosa. Absolutamente ninguém da família consegue encarar a partida da mulher que os unia, fortalecia e amava incondicionalmente. Ao morrer, Kate deixa dois gêmeos com idade inferior aos 10 anos e uma adolescente de 16, Marah (minha xará), que sofre o baque de forma mais intensa.

Desorientada, a menina acaba caindo na lábia venenosa de um sujeito problemático, transformando a vida de toda a família em porões do inferno. Tully, amiga da família e madrinha de Marah, percebe sua vida de cabeça para baixo após a morte da grande amiga, perdendo a carreira de sucesso e consumindo remédios de forma compulsiva. No histórico da apresentadora, a rejeição começou com o abandono da própria mãe, culminando na tentativa desesperada de Tully em conquistar o amor dos outros. Só Kate conseguia escutar e acalmar sua dor. Sem ela, a apresentadora e sua “família adotiva” precisarão encontrar novos caminhos para alcançar a felicidade e a paz.

Kristin Hannah

É neste mundo de silêncios, sentimentos não ditos e diálogos interiores que Kristin Hannah continua apostando depois de Jardim de Inverno, lançado na versão brasileira pela editora Novo Conceito no ano passado. Outra característica marcante na escrita de Hannah é o fato de dar voz aos diferentes personagens, transformando-os em narradores-participantes. Idas e vindas na ordem dos acontecimentos também chama bastante atenção, prendendo ainda mais a atenção do leitor.

Apesar das quatrocentas páginas, o livro flui rápido, evoca temas interessantes e está próximo da realidade do leitor, diferente de Jardim de Inverno, uma obra mais pontual. Gosto da forma que Kristin Hannah escreve e da sutileza utilizada para abordar momentos tão humanos. Leitura que não traz arrependimento. Aproveite para praticar a emoção e usar aquela caixa de lenços esquecida no canto do armário.

Comentários

  1. Oi :)

    Eu estou louco nessa série e com certeza a comprarei até Abril. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Gabriel! (:

      Você não vai se arrepender. Eu gostei bastante!

      Um beijo,

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  2. ai, agora fiquei com mais vontade ainda de ler. Vou passá-lo mais a frente da minha listinha' hehe
    adoro a escrita de Hannah. bj, Marinha.

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    1. Eu também estou adorando, Val!

      Gostei até mais desse do que 'Jardim de Inverno'. Me senti mais próxima. Foi um vendaval humano dentro do coração, ou algo assim.

      Beijão,

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  3. Eu gosto muito da "eternidade". Eu costumo ler livros só por conter uma palavra que eu gosto, acredita? Uma particularidade minha, rs. Gostei muito do ponto do livro, sobre grandes perdas. Abraços!

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    1. HAHAHAHA! Ítalo, bingo! Eu também tenho isso!

      Tenho o hábito sagrado de manter palavras favoritas na mente. As minhas são: saudade, sonho e galáxia. Elas mexem comigo de uma maneira especial.

      Muitos beijos,

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  4. Tenho vontade de ler algo dela...você sempre a seleciona para ler e eu começo a ficar curiosa porque foi assim que acabei lendo Emily Giffin e gostei muito.

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    1. Ah, Tam, eu curto demais! <3

      Gosto de ler palavras que me façam sentir calor humano, situações, momentos... <3 Tão bom! E acho que você também - tirando as ''melosidades sem sentido''. rs. Tou certa? rs.

      Diz que simmmmmmm! rs.

      Beijocas,

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  5. Oi Mara,
    Confesso que esse livro me decepcionou um pouco. Eu li Jardim de Inverno e AMEI! Li Amigas para Sempre, que antecede Por Toda Eternidade e amei mais ainda, porque obviamente não sabia da morte de Kate e chorei muito no final. Mas nesse livro, achei que ela explorou muito a depressão e o livro pra mim ficou cansativo, pesado e depressivo. Pra mim a história poderia ter terminado em Amigas para Sempre. A única coisa que eu amei em Por Toda Eternidade foi poder conhecer melhor Nuvem (ou Cloud, na edição da Novo Conceito), eu que a odiei tanto no livro anterior, passei a gostar dela e entendê-la melhor.

    Beijos ;*
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Oi, Mariana!

      (P.S: Um detalhe que não tem nada a ver, mas quero comentar. rs. Se eu chegar a ter, em um futuro um pouco distante, umas duas filhas, o nome de umas delas será Mariana. <3 Acho o nome lindo! Uma mistura de ''mar'' e ''flor''. Pelo menos me parece assim).

      Olha, eu ainda não li 'Amigas para Sempre'. A propósito, quero muito ler. Você o leu pela Editora Novo Conceito? Quero saber um pouco mais dessa história de amor e amizade lindíssima! <3

      'Por toda a Eternidade' traz um pouco dessa ''nuvem pesada'' de dor, sofrimento e angústia. Algumas vezes é tenso demais, nos envolvemos demais como leitores! Mas é simplesmente lindo como a autora usa essa ponte de superação. São ações humanas, lágrimas humanas, perdas humanas... E é quando percebemos isso que nos damos conta de que não existe a tal ''felicidade eterna'', mas sim ''momentos de felicidade'' que devem ser eternizados. (:

      Muito bacana ler sua opinião e sugestão. Vou procurar ''Amigas para Sempre''.

      Beijos e beijos,

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