15 abril 2014

Sociedade dos Meninos Gênios, de Lev AC Rosen

Sociedade dos Meninos Gênios do escritor Lev Ac Rosen é um livro que fugiu um pouco da minha área de conforto. Não tenho costume de ler romances de época e muito menos que misturem o gênero fantasia e ao mesmo tempo ficção científica com um toque steampunk então foi uma experiência totalmente incomum para mim.
No livro é narrada a história de Violet Adams, uma bela jovem de 17 anos que é apaixonada por mecânica e quer ser reconhecida como inventora. Ao contrário de seu irmão gêmeo Ashton que é mais chegado a poesia. 
Violet tem o sonho de estudar na faculdade Illyria que é um templo do saber para jovens cientistas, no entanto, a escola não admite o ingresso de mulheres...então a jovem articula juntamente com seu irmão um plano para poder estudar lá. Ela resolve se passar por ele até que o ano acabe e na feira anual dos alunos ela apresentaria um trabalho tão genial que todos teriam que aceitar o fato dela ser mulher e aceitá-la por fim na faculdade de renome. A questão tensa aqui é que tudo isso se passa na Inglaterra Vitoriana e além das mulheres serem vistas apenas como esposas e mães, transvestir-se era considerado crime. 
Os irmãos contaram com a ajuda de Jack, amigo deles de infância que também resolveu entrar para Illyria. E aproveitaram-se do fator de seu pai um grande astrônomo ter ido passar o ano fora devido a viagens.

Logo de início Violet tem um encontro com o Duque de Illyria, dono da faculdade quando fazia de conta que ia entregar o formulário do "irmão" esse encontro causa grande impressão nos dois. 
Ela consegue passar pela rigorosa seleção dos alunos e começa a  fazer parte do quadro dos estudantes calouros. Logo de início ela faz alguns amigos e descobre outro lado da vida que antes ela não conhecia devido a vida trancada no seu pequeno laboratório em casa, descobre também que a faculdade de Illyria é um lugar grandioso e belo com o barulho constante de engrenagens trabalhando, mas percebe também que ali há muitos mistérios escondidos.
Ao longo do texto vamos conhecendo a grande gama de personagens. Os professores, os alunos, os familiares de Violet. A narração é feita em terceira pessoa o que nos permite ver o ponto de vista indireto de quase todos os personagens e tendo surpresas com seus passados. A história aborda vários assuntos polêmicos por assim dizer: temos experiências mirabolantes, questões de gênero, homossexualidade, etc.
O livro é bem escrito e possui muitas passagens divertidas, porém me chateou um pouco o fato do autor ter alongado muito a história e em certos momentos ter dado amplidão a assuntos sem importância enquanto vários outros aspectos da história ficavam mal desenvolvidos, como se ele houvesse escolhido um leque muito grande de assuntos e depois não soubesse lhe dar.
No geral é um bom entretenimento e indico para quem  gosta do gênero.

Um trechinho que grifei:
"Pouca coisa satisfazia mais do que a sensação de metal na mão. Gostava de conceber novas invenções, sim, mas o que mais lhe dava prazer realmente era montá-las e sentir cada engrenagem e mola encaixar-se no lugar, sentir seus projetos ganharem vida e funcionar nas suas mãos. Tinha uma daquelas mentes raras que eram capazes de diferenciar, entre uma dúzia de molas aparentemente idênticas, a que era mais forte, a que tinha maior flexibilidade, da que poderia quebrar. Só de olhar para uma invenção inferior, era capaz de dizer o que havia de errado e como poderia ser reparada." p.26

O livro resenhado é cortesia da nossa parceira a Editora Novo Conceito.