12 abril 2014

Sócios no Crime, de Agatha Christie

Depois de ler "Um Pressentimento Funesto", livro da série investigativa produzida por Agatha Christie, fiquei curiosa para saber como a dupla de detetives Tommy e Tuppence Beresford costumavam agir na juventude, já que a obra em questão traz os dois investigadores em uma idade bem mais avançada. Meu interesse foi saciado com "Sócios no Crime" (original Partners in Crime, tradução de José Carlos Volcato, editora L&PM Pocket, 2013, p. 288), um conjunto de contos que atravessam os anos de aventura vividos por Tommy e Tuppence.

Já casado e estabelecido, o casal aceita trabalhar na Agência de Detetives Internacional, onde Tommy assumirá a identidade de Theodore Blunt e Tuppence será sua secretária particular. Todas as investigações trazem à tona métodos dos mais célebres detetives da literatura mundial, como o inigualável Sherlock Holmes (criação do escritor Arthur Conan Doyle); o detetive cego Thornley Colton (de Clinton H. Stagg); o divertidíssimo padre Brown (de G.K Chesterton) e até mesmo o enfadonho Hercule Poirot, criação de Agatha Christie. Há inúmeros outros detetives, sempre mencionados no livro a partir das estratégias que os personagens Tommy e Tuppence vão utilizando. Para os investigadores imaginados pela 'Rainha do Crime', é necessário ler bons clássicos da literatura policial para estar a par da missão de busca, localização e desfecho dos fatos.

"Sócios no Crime" é um livro divertido e gostoso de ler. Acompanhar o humor ferino de Tuppence, sempre disposta a dar respostas inteligentes e perspicazes ao marido, me estimulou a pensar no modo como Agatha Christie se posicionava frente ao universo em que estava inserida. Na década de 30, período de lançamento dos contos, a 'Rainha do crime' apostou em uma personagem sagaz, independente, dona de uma hiperexcitação intelectual de fazer inveja. Enquanto Tommy é um indivíduo pacato, um pouco impressionável e lento, Tuppence é o oposto.

Gostei bastante dos contos "O caso da pérola rosa", "O cavalheiro vestido de jornal", "O caso da dama desaparecida", "O homem coberto de névoa", "A casa da morte à espreita", "A casa vermelha" e "O homem que era o número 16", pois trazem enredos e situações que transcendem o campo da adivinhação precipitada. E, claro, possuem a atmosfera de quebra-cabeça tão característica das melhores histórias de Agatha Christie.