03 abril 2014

Tempo de mudanças...

Graças aos céus, nunca perdi pessoas queridas pra doenças terminais. Mas ainda assim, eu me sensibilizo com elas. Já vi amigos perderem entes queridos para o câncer e sei que não é uma barra fácil de suportar. Tento me por no lugar do doente, da família e amigos, dos médicos que tratam esse tipo de pacientes. O câncer é uma doença cruel com final triste. E quando vejo filmes ou livros com personagens que estão com os dias contados devido à doença, me sinto baqueada e chorosa. E sim, e essas histórias te deixam com nó na garganta...



Tempo de mudanças, da autora Lisa Jewell e publicado pela Ed. Novo Conceitofala sobre um homem com câncer. Ele tem pouco tempo de vida, mas não tem mulher, nem filhos ou alguma família por perto que possa cuidar dele. Tem uma amiga, Maggie, que conheceu a pouco tempo, quando já não havia muito a fazer e ainda assim, ela se apaixonou por ele. Mas como ele a trata apenas como amiga, Maggie se resigna a essa condição, e tenta fazer dos dias de seu amigo dias mais confortáveis e menos solitários. Daniel está morrendo, e compartilha com Maggie um segredo: ele provavelmente é pai. Mas nunca conheceu seus filhos, pois ele foi doador de sêmen quando mais novo. Agora, no leito de morte, deseja conhecer a[s] pessoa[s] que ajudou a pôr no mundo... Maggie, uma mulher divorciada, na casa dos 50 anos mas com ar mais jovial e alegre, não pode recusar um pedido desses. Ainda mais de Daniel, seu amigo e amor. 

No decorrer do livro, nos deparamos com as histórias em paralelo de 3 pessoas: Lydia - que tem sérios problemas com a família, é solteira e meio fria, apaixonada pelo seu personal trainer e vive numa casa luxuosa, embora não tenha com quem dividir todo o seu conforto. Dean, um rapaz que vive fumando maconha e tem uma namorada grávida do primeiro filho deles, mas que entra em trabalho de parto antes do tempo e um acontecimento muda o destino dos dois. E Robyn, uma garota amada pelos pais e que sempre soube de sua condição como filha de pai desconhecido. E mesmo sabendo, nunca tentou saber se tem irmãos ou quem é seu pai biológico. Ela arruma um namorado mas acaba grilando quando as pessoas passam a achar que os dois são parecidos, como irmãos. O pavor toma conta dela e assim ela resolve partir em busca de respostas sobre sua vida, e desfazer a dúvida de que pode estar dormindo com o próprio irmão.

Os capítulos vão alternando entre a história dessas três pessoas e Maggie. O destino se encarrega de cruzar o caminho deles com o de Daniel, mas será que não será tarde demais? Afinal, Daniel definha a cada dia, e Maggie tem pouco tempo para juntar os pedaços desconhecidos de seu passado, a fim de lhe proporcionar uma última alegria. Outro fator que é importante frisar é sobre a família de Daniel: ele tem uma mãe velhinha e doente, e um irmão. Ele são franceses, e é tudo que Maggie sabe a princípio. Quando seu irmão resolve visitar Daniel depois de uma lacuna de 20 anos, descobre que vai perdê-lo para o câncer. E com sua chegada, mais coisas sobre Daniel são descobertas, deixando Maggie - e o leitor - espantados...

O livro é sutil, apesar de tratar de um assunto tão doloroso. Por possuir capítulos curtos, o leitor não exita em continuar a leitura sem pausas, naquela velha situação de 'ah, só mais um capítulo e eu pauso'. A autora conduz toda a trama para um desfecho em que não ocorrem milagres, mas que trazem uma ponta de final feliz. Apesar de algumas situações clichês, os personagens são bem construídos e carregam consigo uma angústia de saber mais sobre si mesmos, de que lhes falta algo e que isso só vai passar quando seus destinos se cruzarem. E esse acontecimento acarretará em mudanças...

A leitura é envolvente, cativa pela doçura e emociona por tratar de perda, amor e 'busca pelo eu'. Algumas pessoas que aparecem na história farão o leitor sentir raiva delas para no momento seguinte, o conceito sobre elas mudar. Ou ao menos, o leitor irá compreender suas atitudes... Um dos capítulos finais é de Daniel. O desfecho é o esperado para alguém que tem câncer, mas não deixa de emocionar o leitor...

Em suma, fez com que eu enchesse os olhos de lágrimas, mas deu pra segurar sem a ajuda de um lencinho de papel...