12 maio 2014

Belleville


Em Belleville, conhecemos a história de Lucius, que após se mudar para uma casa antiga na cidade de Campos do Jordão para cursar faculdade de Matemática, acaba encontrando algo que vai mudar de vez os seus planos [e de seu pai]. Lucius é um cara tímido, que pode ser chamado até de nerd, e que não leva jeito com amigos e garotas. A casa que seu pai alugou para que ele more nos próximos cinco anos, até concluir seu curso, é um pouco isolada do bairro onde se situa, e após o responsável pelo imóvel ir embora, ele resolve vasculhar o ambiente, e algo que já tinha chamado sua atenção logo que ele subiu ao telhado da casa...

Nos fundos do quintal, ele repara numa construção, que parece ser de uma montanha-russa, mas o que danado uma montanha-russa estaria fazendo naquele quintal? Lucius logo mais descobre a resposta...
1964. Anabelle vive nessa época, depois de ter perdido os pais num intervalo de menos de um ano. Sozinha naquela casa, apenas com seu gatinho preto Tião como companhia, vai usando o dinheiro que o pai havia deixado mas uma hora ele acaba... Sem estudo, sem trabalho, sem ninguém a quem pedir ajuda, Anabelle resolve sair pela cidade em busca de um emprego. Moça recatada que era, ingênua até, acaba passando por uma situação tensa, que por pouco não estraga sua vida, e resolve se isolar novamente em sua casa... 

2014. Lucius encontra enterrada no quintal, uma antiga caixa de madeira com uma carta dentro. A carta é de alguém chamada Anabelle, que pede ao atual morador da casa, que se puder, construa o sonho de seu pai, que morreu sem ver seu projeto concluído: uma montanha-russa de nome Belleville. Achando estranho, ainda assim, Lucius resolve enviar uma carta ao futuro, para que algum morador que se estabeleça na casa após a sua partida, possa realizar o sonho da carta datada de 1964, pois ele mesmo não tinha recursos para dar vida a tal projeto. 

Em 1964, Anabelle procura seu gato e descobre a caixa de madeira que havia colocado a carta dentro, mexida. E qual não foi sua surpresa ao ver que tinha outra carta dentro da caixa, em resposta à sua própria carta? E ainda por cima datando de 2014, cinquenta anos a frente. Achando que alguém está de brincadeira com ela, resolve responder...

Em 2014, Lucius encontra a resposta da sua carta e resolve se 'corresponder' com a misteriosa Anabelle, que ele descobre logo que se trata da moça do retrato, que ele encontrou na casa, durante sua 'expedição de reconhecimento'. Ambos, sem entender que fenômeno é esse, e cheios de desconfiança, acabam se envolvendo com essa troca de cartas, e Lucius resolver abandonar a faculdade para investir seu dinheiro na construção de Belleville, para alegria de Anabelle. 

O problema começa quando um tio de Anabelle se muda para a residência e torna a vida de sua sobrinha um verdadeiro inferno. Desesperada com a situação, ele pede ajuda a Lucius, que não pode fazer muita coisa estando a frente da moça cinquenta anos, e sai em busca de seu paradeiro. Se ele estiver viva em sua época, deve estar com uns setenta anos. Mas o que ele descobre não é nada feliz... E agora, Lucius precisa impedir que o pior aconteça a Anabelle, que está nas mãos de seu tio, sofrendo os horrores como prisioneira em sua própria casa...

Não posso me alongar na história para não quebrar o encanto de quem vai ler. Os capítulos são curtos, em sua maioria intercalados entre Lucius e Anabelle, e por isso mesmo dão um toque de 'preciso ler o seguinte para saber o que acontece'. A narrativa é pesada em alguns momentos, me angustiei com a situação de Anabelle, e por vezes tive ânsia de desespero por Lucius não poder fazer muita coisa... O que posso dizer, é que ao contrário do que eu esperava, o livro tem um final feliz. E coerente. Achei que o autor fosse desandar nas partes finais, mas ele soube dar um desfecho adequado para os personagens, inclusive para os que vão surgindo em meio a história. Me encantei com o gato Tião, mas não posso revelar o que houve com ele... Senti muito ódio de "Tio Lino" e de Ed [no início].

A diagramação do livro é bonita, as cartas trocadas ficam em destaque no livro e sua capa tem uns tons claros de verde muito bonitos. Belleville é um lançamento da Ed. Novo Conceito, do mês de Abril, e faz parte do Selo Novas Páginas. Sim, caros leitores, o autor é brasileiro, e esse livro é seu quarto romance. Felipe Colbert é carioca, e além de escritor, atua como palestrante e coach literário. Tem no currículo projetos literários que visam aplicar técnicas de estruturação de romances a autores. Mora atualmente na cidade de São Paulo. 



Confesso que escolhi o título pela curiosidade que sua sinopse me despertou. Li sem pretensão a uma grande leitura e acabei me impressionando de forma positiva. É um livro que merece ser lido, sentido e apreciado...