15 maio 2014

Caninos Brancos, de Jack London



Eis que venho com mais uma impressão de leitura de Jack London ao blog. Já havia falado sobre outro livro seu nesse post, em que conhecemos a história de Buck, um cão domesticado que por um acaso do destino precisa sobreviver num ambiente inóspito e acaba voltando ao seu estado primitivo, atendendo ao chamado da natureza. 

No caso de Caninos Brancos, a história é inversa. Conhecemos Lobinho, que futuramente terá o nome de Caninos Brancos, um filho de loba que se vê capturado pelo homem e precisa perder seu instinto selvagem e se domesticar, de forma a conviver com o Homem. Confesso que li com certa expectativa e fiquei surpresa ao final do livro. A narrativa de London é fantástica, faz você incorporar o personagem [nesse caso, o lobo] e sentir todas as suas inquietações. A maestria de London ao descrever os monólogos mentais de Caninos Brancos me deixou extasiada. 

O começo do livro conta o período antes do nascimento do protagonista que dá nome ao livro. Nas terras geladas do norte, dois homens tentam cruzar essa área tão cruel e perigosa, enfrentando todo tipo de perigos e dificuldades, até serem [ao menos um deles] resgatados com vida por outras pessoas. A jornada árdua, no frio, em meio a fome, com os cães que puxavam o trenó perecendo no caminho, é difícil para esses indivíduos, e em meio a esse caos, uma loba que perseguia os homens com seu bando, a fim de se alimentar, acaba tendo filhotes. Um deles 'vinga', e se torna nosso protagonista...

"eram apenas homens que penetravam nas paragens onde só reinam a solitude, a irrisão, o silêncio - aventureiros insignificantes, empenhados numa aventura colossal, opondo-se à força de um mundo tão remoto, hostil e inanimado como os abismos do espaço." 

A história é dividida em cinco partes, e em cada uma delas, conhecemos uma etapa na vida dos lobos, no nascimento de Lobinho, e de como ele se transforma em Caninos brancos, bem como seu destino final, numa propriedade civilizada, em meio a humanos, dos quais ele sempre desconfiou em vida. Um ponto notável a ressaltar, é de quando ele encontra seu último dono, e a relação que daí se forma, gradual e profunda entre ambos... 

Por meio do instinto, Caninos Brancos vai descobrindo a natureza a sua volta, perde sua mãe, aprende a se defender dos animais que desejam comê-lo ou matá-lo, dos homens que o machucam, e nessa jornada rumo a civilização/domesticação, ele cada vez mais se encontra distante de sua verdadeira essência, mas sua lealdade com o dono é quase palpável. 

"Só muito tempo depois abandonou o refúgio. Tinha aprendido muito. As coisas vivas eram carne. Serviam para comer e eram boas. Mas as coisas vivas, quando bastante grandes, podiam causar dor. Era melhor comer coisas vivas pequenas, como as perdizes recém-nascidas. No entanto sentia a picadinha da ambição, o secreto desejo de travar outra luta com a perdiz mãe. Mas o falcão levara-a. Talvez houvesse outras. Iria procurá-las."

Alguns trechos me deixaram bem afetada, entristecida, pensando sobre a vida desses animais selvagens... O final do livro me trouxe uma perspectiva feliz. Ele não tem um desfecho cruel. Confesso que chorei emocionada... O livro foi presente de páscoa do meu amor [obrigada, Minho ♥], que sabe da minha paixão por Jack London [e não tem ciúmes dela *risos*] desde que li O apelo da Selva. Em breve, lerei O lobo do mar, e espero gostar dele tanto quanto dos demais que li. Caninos Brancos me cativou, me emocionou e com certeza entra para a lista de meus livros preferidos...

Jack London


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