05 maio 2014

Tamarisk é sua única chance de sobreviver...

Kit: livro, marcador de página e essência de Tamarisk...


Esse foi um dos últimos livros que recebi da última caixa que Eni me enviou. E confesso que a leitura dele me foi um pouco arrastada porque eu não conseguia me concentrar em ler, porque a todo momento ela me vinha a cabeça... E saber que nunca mais vou receber uma cartinha sua me deixa com o coração apertado... Mas me senti mais leve a medida em que ia lendo A menina que semeava. Lembro que ela tinha gostado do livro...

Bom, a história trata de uma garota chamada Becky que vive entre os pais, separados a um bom tempo e que não vivem numa convivência tolerável ou pacífica. Quando pequena, Becky tinha um apego muito grande pelo pai, que lhe contava histórias sobre um mundo criado por ele, chamado Tamarisk, que serviu como válvula de escape no período em que Becky se tratava de uma leucemia. Mas hoje em dia, ela já é uma adolescente e aquele mundo imaginário de fantasia ficara para trás...

Até que Becky começou a se sentir estranha... O nariz sangrando, dores de cabeça, e em seu íntimo, um medo apavorante de que o pesadelo da doença pudesse retornar... Com medo, acaba escondendo dos pais e amigos, mas não por muito tempo... Nesse ínterim, Chris tenta se reaproximar da filha, mas Polly vivia dificultando essa aproximação do ex-marido com a menina, por ciúme de que o pai fosse mais querido do que ela. 

Paralelamente a situação de Becky, conhecemos a Princesa Miea. Miea é agora a rainha de Tamarisk. Pois então... Tamarisk acaba se tornando real. Becky de alguma forma acaba entrando no mundo de Tamarisk e descobre que o mundo está devastado por uma praga que está consumindo o território e acabando com o ecossistema de lá. Surpresa, Becky acha que está sonhando mas depois percebe que não, que realmente o mundo que seu pai criou pra ela a fim de ajudá-la em seu período de doença era real, e a rainha Miea precisava dela de alguma forma para salvar seu reino. Seu pai vê nesse acontecimento, uma forma de se reaproximar da sua querida filha. Polly se mostra totalmente incrédula e vive ameaçando Chris de proibi-lo de ver a filha, por achar que essa história pode prejudicar Becky. 
Mais a frente, eles descobrem que o câncer de Becky voltou, e se espalhou rapidamente, dando a garota pouco tempo de vida. Chris fica abalado, desesperado, mas a pedido da própria Becky, ele embarca nessa aventura de salvar Tamarisk da praga...

Bem, eu não vou me estender na história porque poderia acabar contando o desfecho. O final não é triste mas também não achei lá muito feliz... A meu ver, Tamarisk seria uma metáfora, interpretei que a fé de Becky nesse reino de fantasias é o que dava a ela esperança de viver. E que seu destino teria que ser aceito por Chris e também, principalmente, por sua mãe Polly. Becky não poderia partir para Tamarisk sem a bênção de sua mãe. Creio que a história seria uma forma de minimizar a dor da perda, suavizando o sofrimento que a doença provoca, tanto nos pais como na própria garota... É uma história bonita, mas confesso que no início fiquei meio perdida nos capítulos intercalados entre 'vida real' e Tamarisk. Demorou pra 'cair a ficha' de que se tratava do mundo da rainha Miea. Todo a narrativa sobre pragas, extermínio de espécies e afins me deixaram um pouco confusa. Mas, mais uma vez entra a metáfora: uma praga que devora pouco a pouco o solo tamariskiano, seria algo como o câncer devorando o corpo de Becky... 

Em suma, é um livro que exige certa concentração pra ser compreendido, traz uma mensagem bonita e de conforto para uma situação ruim como a morte e é também um exercício de fé e esperança em dias melhores... 
Esse livro foi cedido como cortesia pela Ed. Novo Conceito e é um lançamento de 2013. O autor, Lou Aronica, é estadunidense, escritor e editor, principalmente de ficção científica e fantasia. Escreve obras de ficção e não-ficção.