07 junho 2014

Depois do funeral, de Agatha Christie

Um funeral que culmina em outro. Essa é a ideia soturna de Agatha Christie em "Depois do Funeral" (original After the funeral, tradução de Eliane Fontinelle, editora Círculo do Livro sob licença editorial da Editora Nova Fronteira, 1953, págs. 230), um romance engenhoso, cheio de intrigas e verdades indesejáveis - fórmula que fez a autora inglesa ser conhecida mundialmente como a "Rainha do Crime".

Em "Depois do Funeral", o leitor encontra o seguinte mistério: Um sujeito extremamente rico morre e seus familiares vão ao funeral para, adivinhem só, se despedir do ente querido, certo? Errado! Todos os parentes estão interessados nos dividendos da herança, fazendo mil conjecturas com o dinheiro que irão receber. Nesse meio tempo, uma das irmãs do morto - conhecida por falar tolices e ter um comportamento inadequado, isto é, não agir de acordo com a hipocrisia fria e distante que acaba por tomar conta das relações familiares - solta o seguinte comentário: "Mas ele foi assassinado, não foi?". Depois da frase solta, a tal irmã boca de trapo é encontrada morta em sua casa, vítima de um ataque de machadinha. E então todos passam de simples herdeiros gananciosos para suspeitos em potencial.

O advogado do morto decide solicitar os serviços do detetive Hercule Poirot para ajudá-lo a solucionar o caso, já que as duas mortes parecem ter sido maquiavelicamente planejadas. Pela primeira vez, o afetado Poirot não estava tão insuportável como em outras tramas, o que deixou o enredo mais leve, fluido. Eu gostei bastante do livro justamente por conter um panorama geral dos acontecimentos sem esquecer de contar um pouco da vida, pensamentos e intenções de todos os suspeitos. Confesso que pensei em vários alvos diferentes, mas minhas suspeitas acentuaram na reta final - o que acabou se confirmando.

Ganhei o livro da Eni no Natal do ano passado. Ela realmente me conhecia muito bem, pois sou fã convicta de thrillers policiais e de suspense. Recomendo a leitura.