03 julho 2014

Minha querida Sputnik

Terminei a leitura deste livro e ainda estou com a sensação de confusão mental que ele me despertou... Não foi o melhor livro que li na vida, mas em meio as leituras desse mês, ele certamente foi o que me causou uma sensação maior de desconforto e estranheza, seguidos de um peculiar fascínio por sua história... 

Minha querida Sputnik é minha estréia com o autor Haruki Murakami, publicado pela Ed. Companhia das Letras. Fala de um triângulo 'amoroso' platônico, entre K. [nosso narrador], Miu e Sumire. K. é apaixonado por Sumire, são amigos de longa data mas ela nunca olhou pra ele da mesma forma que ele a olha, apesar de gostar bastante da companhia dele. Miu é uma mulher que surge na vida de Sumire para abalar suas estruturas, e que desperta [mesmo sem a intenção disso] uma paixão e desejo muito intenso em Sumire. Miu é casada, tem quase vinte anos a mais que Sumire mas esta não se importa, e quando recebe o convite para trabalhar com Miu, não recusa. Pouco tempo depois, ambas partem para uma viagem a negócios pela Europa e numa bela noite, K. atende o telefonema de Miu, pedindo que ele viaje até uma ilha na Grécia, para ajudá-la a encontrar Sumire, que desapareceu como num passe de mágica... 

A construção da história é basicamente essa, mas o que me deliciou na leitura foi a narrativa na visão de K., um professor tímido, que tem uma amante, mãe de um de seus alunos, mas que tem o coração preenchido por Sumire. Tive uma identificação em alguns aspectos com a própria Sumire, além de achar o envolvimento dela com Miu bastante verdadeiro. Miu é o tipo de mulher prática, que precisou logo cedo assumir as rédeas dos negócios da família e sente um carinho especial por sua 'secretária', embora não seja da forma como Sumire gostaria... A relação entre os personagens oscila entre o indiferente e o intenso... 




"no fundo não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. A distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada."

Outro ponto interessante a ressaltar são as referências sobre Jazz e Jack Kerouac, da qual Sumire é apaixonada. Ela pretende escrever um livro mas suas idéias - quando jogadas no papel - se tornam confusas. O clima de suspense sobre o paradeiro de Sumire na ilha grega faz o leitor devorar os capítulos em busca de respostas... Algo como sonho e realidade se mesclam nessa parte do livro, em que Miu e K. tentam desesperadamente encaixar os acontecimentos a fim de explicar aos outros [e a si mesmos] sobre o paradeiro da garota... Não revelarei o desfecho e deixo para você ler a obra descobrir se Sumire retorna ou não... 

Murakami me enfeitiçou e pretendo ler outras obras dele... Indicações? Deixe nos comentários ;)