18 agosto 2014

Máquinas de Livros em São Paulo

Seguindo o exemplo das máquinas automáticas que vendem de tudo no Japão (até guarda-chuva!), o Metrô de São Paulo abriga as máquinas automáticas de livros que são administradas pela empresa 24x7 Cultural.

Foto: 24x7 Cultural
Através da campanha "Pague quanto acha que vale", você pode adquirir livros utilizando uma cédula de no mínimo R$2 (dois reais). 
São diversos títulos e para todos os públicos. As máquinas são constantemente abastecidas com novos livros e estão espalhadas por diversas estações das linhas do metrô.

O idealizador desse projeto é Fábio Bueno Netto, que um dia se deparou com uma máquina de café instalada na sede da FIESP e pensou: "Por que não livros?".
Em seu site, Fábio conta sobre a instalação das primeiras máquinas em 2003, do sucesso e da praticidade que elas representam na vida do leitor paulistano. 

"Naquela noite dormi o sono dos anjos, feliz comigo mesmo por ter dado o primeiro passo para uma grande mudança nos padrões culturais de São Paulo, e a seguir do Brasil."


No topo da lista dos livros mais vendidos estão os grandes pensadores como Nietzsche, Maquiavel, Platão, Diderot e Sun Tzu. Também estão disponíveis obras de leitura obrigatória para vestibular, manuais de informática, guias de viagens, dicionários, livros em inglês e outros de utilidade prática.

"Com o tempo, passei a chamar a máquina de livros de máquina de sorrisos, porque toda vez que alguém compra um exemplar de uma obra, sai com um largo sorriso de prazer e de poder. Brasileiro lê, gosta de ler, sabe escolher e é muito exigente, basta dar acesso." - diz Fábio.

Se você você costuma utilizar o metrô como transporte, não deixe de observar as máquinas, quem sabe você não encontra um livro legal e barato? A localização das máquinas está disponível no site da 24x7 Cultural.

Minha experiência - livros que comprei nas máquinas

É um vício, é automático: quando cruzo com uma máquina dessas, eu tenho que parar para ver os livros à venda. Logo já começo a procurar algum trocado na carteira e quando o livrinho cai na cesta abaixo, aí vem o sorriso como o próprio Fábio descreveu.

Recordo-me que meu primeiro livro comprado foi "O Anticristo" de Nietzsche em 2006 e lembro até que foi na estação República.
Desses anos utilizando essa "caixa de tesouros", eu só tive dois transtornos que pra minha sorte foram resolvidos: um livro ficou preso na "cesta" de retirada e saiu bem amassado. Tive que amassar o livro para conseguir retirá-lo. 
Uma outra vez,  foi quando eu digitei o código, mas o prendedor da prateleira com o livro estava com defeito e não o soltou. Um funcionário do metrô me ajudou balançando a máquina até o livro se desprender e cair na cesta. 

Não é todo dia que encontro livros que me interessam, mas quando encontro é desesperador não ter pelo menos dois reais trocados no bolso (rs). Entre os escritores de obras que comprei estão Clarice Lispector, Ana Miranda, Charles Dickens, Machado de Assis, Voltaire, Eça de Queiroz, Guy de Maupassant e etc!

Alguns livros que comprei nas máquinas. Ops, alguns livros estão de cabeça pra baixo...

Nesse garimpo tive ótimas surpresas como o livro Casos de Amor de Marisa Raja Gabaglia e Uma Vida de Guy de Maupassant (ambos comentados aqui no blog). Também "Ainda lembro" de Jean Wyllys que pretendo comentar sobre ele futuramente.
Já presenteei amigos com livros retirados dessas máquinas salvadoras! E assim como Netto (fundador da campanha), eu realmente espero e desejo que as pessoas estejam lendo mais e melhor.
Espero que todos nós possamos desfrutar dessa praticidade por longos anos e que se for para substituir as máquinas algum dia, que seja por outras ideias ainda melhores e que envolvam, é claro, livros.

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