13 agosto 2014

O doente Molière, de Rubem Fonseca



O doente Molière, publicado pela Ed. Companhia das Letras é a segunda obra que eu leio de Rubem Fonseca. E mais uma vez me encantei com sua escrita maravilhosa. O narrador é um marquês anônimo, que por ser muito amigo de Molière, tem uma relação bem sincera com o artista, e quando este lhe diz que ele não tem talento para o teatro, ele acata a decisão do amigo sem ressentimentos. Ah, deixem-me explicar uma coisa antes: o autor puxa o fio da meada para contar essa história a partir de um fato e personagem real, Molière - que no ano de 1673, algumas horas após representar uma de suas peças mais famosas [O doente imaginário] acaba falecendo em circunstâncias misteriosas... 

Voltando à narrativa de Rubem Fonseca. O marquês é a única testemunha de Molière, quando este está próximo da morte e confessa ao amigo que foi envenenado. Mas ao invés de buscar um médico que possa impedir seu amigo de morrer, ele prefere ir em busca de um padre, a fim de que ele lhe dê a extrema-unção. Mas, sentindo-se culpado por não tê-lo ajudado como podia, resolve descobrir o assassino de Molière. Os prováveis suspeitos são os indivíduos retratados nas peças de Molière, como religiosos fanáticos, mulheres de procedência duvidosa, pessoas que possuem segredos escusos e que vivem na sociedade como se fossem 'limpos', e que certamente se irritaram ao ver-se interpretados nas peças de Molière como sujeitos hipócritas na sociedade. 

Ao longo da história, dividida em quinze curtos capítulos, o leitor se aprofunda nas investigações do narrador, se depara com inúmeros personagens ao longo da trama e acaba se surpreendendo com o desfecho. Pessoas são torturadas, interrogadas, decapitadas nesse período, tão logo se descubra que o condenado assassinou alguém. O narrador se envolve com pessoas que podem ser as algozes de seu amigo, e qualquer ligação com tais indivíduos, pode ser um problema para ele... A escrita de Rubem Fonseca é fluída, te instiga a chegar à ultima página. Não pretendo me demorar a fim de não contar fatos importantes da história, mas recomendo esse livro num intervalo entre leituras mais densas... 

"constatei que nenhum homem está livre de um dia ter, não importa o motivo, a sua alma assolada por uma angústia que torna a sua existência insuportável. Entreguei-me então ao sofrimento..."