16 setembro 2014

A Cor Púrpura - Alice Walker


Meu primeiro contato com A Cor Púrpura foi através da adaptação cinematográfica em 1991. Eu tinha 7 anos, mas o filme teve grande impacto na minha mente infantil. Tornei-me grande fã da atriz Whoopi Goldberg que fez o papel da protagonista Celie. 

Este ano, conversando com uma professora que teve sua tese de doutorado sobre literatura afro americana, pedi sugestões de escritores e ela indicou-me duas escritoras: Alice Walker e Toni Morrison (as favoritas dela). 

Alice Walker (nascida em 1944), recebeu cinco premiações por seu trabalho e é hoje incluída, pelos mais importantes críticos literários dos Estados Unidos, entre os melhores escritores americanos contemporâneos . 

Edição Circulo do Livro, 1982
É inevitável fazer comparações entre livro e filme, pois como já disse, foi um filme marcante para mim. Mas tentarei passar algumas impressões sobre a escrita de Walker. 

No início do século XX, Celie é uma adolescente negra numa região rural dos Estados Unidos. Foi abusada pelo pai diversas vezes e teve dois filhos que foram frutos desses estupros, mas que foram tirados de Celie ainda recém-nascidos. 

Celie narra suas histórias através de cartas que escreve a Deus, pois seu pai mesmo disse: 
“É melhor você nunca contar para ninguém, só pra Deus. Isso mataria sua mamãe.” 
Após a morte da mãe, Celie é obrigada a se casar com um viúvo cheio de filhos e ir para um lar tão caótico quanto o seu. Nettie, sua irmã e única pessoa que a ama, foge de casa e passa um tempo na nova casa de Celie, mas é constantemente assediada pelo cunhado e decide ir embora, prometendo um dia voltar para buscar Celie. 

Nettie conhece um casal de missionários que a leva para uma missão religiosa na África. 

Sozinha, Celie tem de aprender a conviver com sua condição e apesar da sua submissão, o contato com outras mulheres e situações, ensinará como ser forte em um lugar em que ser mulher e negra não traziam novas perspectivas de futuro. 

Pontos interessantes e observados da narrativa: 
  • Não há referências de tempo e lugar na maior parte das cartas de Celie, mas percebemos alguns fatos históricos da época como a ascensão do Jazz e a segregação racial.
  • Sendo uma jovem com pouco estudo, a escrita dela é coloquial. “Ele me bateu hoje purque disse queu pisquei prum rapaz na igreja. Eu pudia tá cum uma coisa no olho, mas eu num pisquei.” Achei a tradução interessante, baixei a versão do livro em inglês para entender as escolhas dos tradutores. 
  • Quando Celie está mais madura, começa a dar indícios de sua orientação sexual e faz questionamentos sobre Deus. 
  • Diferente do filme, o livro também narra os acontecimentos da vida de Nettie na África. 

Walker foi criticada por ter criado um retrato supostamente negativo dos homens afro-americanos, mas em minha opinião ela retratou algo que acontecia em muitos lares pelo mundo. A questão não é se o homem é negro ou branco, e sim como as mulheres eram vistas pela sociedade. 

Leitura recomendada. 

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