04 outubro 2014

A filha do louco, de Megan Shepherd

Bem, vamos a mais uma resenha literária, e dessa vez venho falar sobre o lançamento de março da Ed. Novo ConceitoA filha do louco, da autora americana Megan Shepherd. No começo a leitura foi um pouco arrastada.e eu demorei para me conectar com a personagem Juliet, uma garota de 16 anos, que após ter perdido sua mãe, passou a trabalhar como faxineira para sobreviver em Londres. Sozinha no mundo, Juliet desconhecia o paradeiro de seu pai, outrora um médico famoso na cidade, mas que devido a escândalos por sua conduta de experiências bizarras com animais, acabou fugindo da cidade, e do qual Juliet não sabia se estava vivo ou morto. 

Apesar de ser uma garota, ela conhecia alguns procedimentos cirúrgicos por observar o trabalho no local onde trabalhava, a universidade. Sem contar que ela mexia nas anotações do pai, e tinha noções de tais coisas justamente por isso... Órfã e tendo que enfrentar o assédio de seu patrão, após agredi-lo para não ser abusada, Juliet foge de Londres na companhia de Montgomery, alguém de seu passado que havia encontrado recentemente devido a um acaso do destino. Deixando tudo para trás, ela parte com ele em busca da verdade sobre seu pai, pois descobre que ele está vivo...

Depois de várias semanas no mar, enfrentando vários perigos, o navio que os transportava para uma longínqua ilha no Pacífico encontra um náufrago, e ele acaba indo parar na ilha do Dr. Moreau [pai de Juliet]. A chegada desse naufrago [Edward] à ilha foi hostil por parte do médico, mas no fim das contas, ele permite sua estadia na ilha até ser resgatado por algum navio... 

Edward é cheio de mistérios. Ninguém sabe sobre sua vida, pois ele foi muito vago ao contar sobre si mesmo quando foi resgatado. E logo o leitor se depara com um dilema novo para a protagonista: surge um triângulo amoroso entre ela, Edward e Montgomery. E Juliet passa o tempo inteiro no livro dividida entre os dois rapazes. Confesso que em alguns momentos importantes da trama, envolvendo os nativos transformados e o perigo que os ronda, essas dúvidas amorosas da garota acabaram me cansando... 

Em paralelo, temos o enfoque principal da narrativa, quando Juliet descobre a verdadeira natureza insana de seu pai, que realmente fazia experimentos com os animais da ilha, transformando-os em humanos. Mas logo ela percebe que esse projeto pode sair do controle do Dr. Moreau, depois de descobrir que uma das criaturas violou o pacto de 'não matar um ser vivo nem se alimentar deles...'

Minha impressão sobre o livro é que apesar do começo ter sido arrastado, mais a frente ele se revela um suspense aterrador, que prende a atenção de quem lê até a última página. De forma gradual, a trama se desenvolve de maneira frenética, alternando a dificuldade de Juliet em decidir-se por seu par perfeito, e sobre o dia-a-dia na ilha, que se mostra perigosa e selvagem a cada momento. Juliet precisa dar um jeito de fugir dali antes que o 'monstro' que está matando os nativos chegue até ela... 

Outro ponto importante a ressaltar é a insanidade do Dr. Moreau. Ele brinca de ser deus, sua megalomania chega ao ponto de tratar a filha e os demais habitantes da ilha como meros experimentos científicos. Arrogante e bruto, destrata Montgomery porque ele não passa de um 'criado', quer que Juliet se case com Edward, porque segundo ele contou, pertence a uma família nobre, embora não haja ninguém que comprove isso... Autoritário, não permite que sua filha se envolva com o 'criado', seu fiel assistente por longos anos naquela ilha,  e que guarda seus segredos mais infames. 

A ambientação da obra é bem sombria, mas o desfecho deixa um pouco a desejar. Acabei prevendo alguns acontecimentos e não me foi surpresa quando cheguei ao final. Mas, por se tratar do primeiro livro de uma série, percebe-se que esse final é um gancho para o próximo livro, que eu não faço ideia de quando será lançado no Brasil. Em suma, é uma leitura que pode agradar os leitores que curtem uma trama meio científica, com pitadas de horror psicológico [caso você não se importe de misturar tal trama com um romance...]

Sobre a diagramação, o livro é bem-feito. Não encontrei erros ortográficos e a capa é bem bonita, além das páginas possuírem uma fonte adequada para a leitura...



P.s: A autora se inspirou na obra A ilha do Dr. Moreau, do escritor H. G. Wells para criar seu livro.