19 novembro 2014

As coisas que encontro dentro dos livros

A maioria dos livros que leio não são novos. Emprestados da biblioteca da família, indicações da irmã ou de um amigo, exemplares comprados em sebos. Um dos charmes de ler livros usados é encontrar as marcas das leituras anteriores.


Por que aquele trecho foi grifado? Eu daria tanta atenção a esta frase? Qual o motivo de uma orelha dobrada, uma página marcada? Quanto custava o livro? Em Cruzeiros? Cruzados novos?

Quando não se tem um marcador à mão, serve qualquer artifício. Uma nota fiscal na versão moderna, daquelas que saem das maquininhas de cartão. Uma nota fiscal das antigas, escritas à mão. Um bilhete, uma reflexão, uma anotação no canto da página. 

Os leitores vão deixando marcas. As épocas também. Já encontrei anotações minhas, de leituras prévias, que não tinham mais o menor sentido. Aparentemente minhas ideias amarelam como as folhas dos livros. Ainda bem que ainda posso acrescentar novos capítulos, ou reeditar minhas melhores versões.

Uma vez, ao embarcar no avião, havia um livro em francês, esquecido no bolsão à frente. Folheei-o rapidamente, e tive tempo de fantasiar um jeito de divulgar nas redes sociais (versão moderna das mensagens na garrafa), na tentativa de encontrar seu dono. Próximo à contracapa uma foto. Pessoa bonita, bem vestida. Seria o dono? Seria um amigo especial? Bem pesado, minhas chances eram remotas, e preferi avisar a comissária. Ela me disse que tentariam pegar o distraído ainda no desembarque. 

Será que conseguiram?