22 novembro 2014

Uma Prova de Amor, de Emily Giffin

Você já passou pela experiência de abrir um livro com toda a empolgação que seu organismo é capaz de demonstrar e, momentos depois, receber um balde de água fria na cabeça? Baldes sucessivos vão sendo derramados em cima de você e todo aquele entusiasmo de outrora começa a assumir novos contornos. Foi assim que me senti ao começar e finalizar a leitura de "Uma Prova de Amor" (original Baby Proof, tradução de Maria Angela Amorim de Paschoal, editora Novo Conceito, 2013, págs. 432), da badalada autora Emily Giffin

A derrocada foi pior porque tive ótimas impressões dos livros anteriores - "Questões do Coração" (2011) e "Presentes da Vida" (2011) -, e fiquei com uma expectativa adolescente ao abrir a embalagem caprichada de "Uma Prova de Amor". As queridas amigas Maria Valéria e Tamara escreveram textos saborosos sobre o livro aqui e aqui (respectivamente), e eu me empolguei bastante. As resenhas não me decepcionaram, o que já não aconteceu com a narrativa. A história é básica: Cláudia Parr, editora de sucesso, aproveita o melhor da vida até alcançar a fase balzaquiana. Ao começar uma infinidade de relacionamentos amorosos, Cláudia sempre esbarra no estilhaço de tensão que rompe todos os seus casos: ela não quer ser mãe. A imagem de crianças correndo pela casa, gritando por doces e riscando paredes com lápis de cera personifica-se como o pior pesadelo de Cláudia. Por alguma razão, nenhum dos homens com quem se relaciona pensa o mesmo, até que ela encontra Ben - um arquiteto charmosão também decidido a não ter filhos.

Ao lado de Ben, Cláudia se sente completa e feliz, e os dois terminam contraindo matrimônio. No entanto, após alguns anos, a doce rotina festiva muda e o que antes parecia ser uma decisão irredutível passa por profundas modificações. A trama gira em torno das consequências da nova situação encarada pelo casal. Apesar da temática ser interessante, a autora escorrega na banana ao encher o livro de clichês, diálogos vazios, personagens melodramáticos e inúmeras contradições. De mulher aparentemente decidida, Cláudia vai se mostrando uma apaixonada dependente, mesquinha sentimental, ciumenta e dona de todas as caras e bocas dignas de protagonistas de novelas.

O começo do livro foi particularmente difícil para mim, justamente por concentrar os momentos mais ocos da obra. O decorrer do texto vai amenizando alguns fiascos do início, mas as minhas expectativas já tinham sido derrubadas e não foram recuperadas. Para quem já escreveu sobre traição, amor e amizade com tanta sensibilidade e agudeza, Emily Giffin tombou feio.