13 fevereiro 2015

Comentando a Obra de Alguém que Conhecemos

Comentar o livro de um escritor que conhecemos é muito difícil.

Adorei seu Livro!
O que pensará o autor, quando aquele aspecto da obra que ele tanto se esforçou para produzir não for bem recebido? Terá ele vontade de desqualificar o crítico com um sonoro: “BAH! Você não entendeu nada!”? O que sentirá aquele parceiro do blog, que nos presenteou com seu livro para vê-lo divulgado, e agora vê que desestimulamos seus potenciais leitores?

Quando comecei a escrever as resenhas no Dose Literária, sempre soube que as pessoas não querem um resumo da obra – algo que só serviria como “spoiler”. A expectativa do leitor, penso, é por uma opinião! O que tem de legal neste livro? O que poderia ser melhor? Vale a pena tentar obtê-lo e dedicar tempo a ele? É importante falar do polêmico – daquilo que agradou ou desagradou de maneira mais marcante. São esses detalhes que criam interesse, que atraem o leitor. São esses aspectos que estimulam a leitura, que acho que é no fundo o nosso papel mais nobre aqui.

Escrever expõe o autor. Para fazer algo realmente original, é importante ir fundo na alma, e com isso colocar para fora várias de nossas conclusões e ideias de mundo. A essas ideias originais, soma-se a técnica, e o trabalho de revisão. Como dar fluência às ideias, como prender o suspense, como desenhar cenários e personagens e direcionar o olhar da mente do leitor – são todas coisas difíceis de fazer, que fazem o ato de escrever tão instigante.

"Eu quero qualquer coisa que ele ousar me servir!"
Se são nossas ideias, podemos nos levantar por elas, acreditar em seu valor e lutar para defende-las, mas é sempre doloroso vê-las pisoteadas por críticas. É duro quando alguém mostra um furo em nossas roupas. Expostas nas páginas, nossas particulares opiniões sobre o mundo ficam ali, nuas, apresentadas para que as pessoas gostem ou não. E como toda a leitura, haverá aqueles que se identificarão de pronto com o conteúdo, e outros cuja estrutura mental se distanciará de nossas ideias, como polos magnéticos iguais.

Num certo sentido, é muito mais fácil falar de um autor que já morreu, ou que é tão famoso que não vai aparecer por aqui e nos confrontar. Desses seres de mármore nós podemos falar despudoradamente do que gostamos ou não, ou sobre modismos que despontam em tons de cinza ou em séries intermináveis que vendem um monte de exemplares. Nossa opinião não precisa ser unanime. Ela interessa aos leitores, e cabe a eles ressoar em favor ou contra a maneira como essas obras nos tocaram.

No caso de autores mais “mortais”, no entanto, desperta aquele cuidado. Temos, claro, o compromisso com nossos leitores, mas também o de não sermos desestimulantes com os novos talentos. O feedback não representa a verdade, mas apenas como aquela determinada obra nos impactou. Está sujeito a toda sorte de percalços nesta interpretação, como nosso apreço ou rejeição ao estilo, nosso grau de conhecimento sobre o tema abordado, nosso histórico de vida e leituras. O fato de não termos gostado de um livro quer dizer apenas isso – que não gostamos dele – e não que ele seja ruim e não mereça apreciação por outros.

Talvez seja um pudor excessivo, mas o sinto por me colocar nos sapatos de escritor. Também eu tenho minhas crias ao sol, tentando seu espaço. As companheiras do blog, felizmente têm me poupado de uma análise esmiuçada de meu romance “Aprendi a me Amar”, não sei por quanto tempo. Pessoalmente, acho-o leve e singelo – com trechos bonitos, com mensagens válidas. Também enxergo nele minha inexperiência, desde alguns trechos muito simples, até todo o processo para sua publicação. Enfim, é preciso começar de algum lugar, mas se recebermos uma paulada logo ao tirar a cabeça da toca, pode faltar coragem para uma nova tentativa.

Podemos aqui destacar pontos fortes e fracos, mas isto nunca deveria ser visto como um desestimulo aos autores. É certo que escrever é um ato de coragem.  Atos de coragem têm sempre valor.