09 fevereiro 2015

Minha experiência com o Kindle

No final do ano, ganhei um Kindle Paperwhite de presente.

Ah! Sim! Um lindo presente para qualquer leitor assíduo, já de cara com a perspectiva de "baixar" alguns livros gratuitos, ou comprar outros a preços reduzidos. Agora que conclui a primeira leitura com ele, estou apto a emitir algumas opiniões, quem sabe úteis para os que estão na dúvida.



Primeiro: a ideia é muito boa. Com uma tela que não tem “backlight” (a iluminação por trás da tela, como acontece nas tvs, computadores e tablets), é possível ter uma leitura confortável como a de um livro normal. Entre outras vantagens, sem os custos de gráfica, o livro fica inevitavelmente mais barato. 

Também não tem problema de esgotar a tiragem, e qualquer erro que tenha escapado da revisão pode ser corrigido imediatamente. Os autores ocultos em cada um de nós também ganham com a popularização dos e-readers, como são chamadas essas maravilhas da tecnologia. É que agora, ao invés de tentar uma editora, você simplesmente lança seu livro. Pode ser de graça, pode ser por um valor simbólico, mas dá para submeter sua "criatura" ao mundo, e esperar pelas críticas.

Ele é leve, fácil de levar e segurar, guarda um mundão de livros dentro (e tem cópia na nuvem, portanto vc não perde, e não se preocupa). A bateria dura mais de mês, você pode consultar o dicionário (se tiver wi-fi), pode grifar e pode comentar quanto quiser. Pode baixar para ele seus livros em PDF, que você não tinha saco de ler no computador.

Se quiser, é possível mudar o tamanho das fontes. Se por um lado isso nos livra daquelas edições desumanas, que cansam os olhos, esse recurso acaba com o sentido de ter um número de página. Dependendo da formatação, você passa a ter uma “posição”, ou porcentagem do livro lida. Ele guarda a posição para você. Não existem marcadores (snifff).

Minha esposa sempre se irritou com a luz do abajur acesa. Com o Kindle, dá pra ler confortavelmente no escuro, e a luz projetada é bem mais discreta. Você se torna autônomo. Lê no avião sem aquele foco te destacando na escuridão. Lê tranquilo em lugares com iluminação insuficiente.

Tudo isso é OK! Sou a favor! Mas entendo se sua reação inicial for de “torcer o nariz”. Puxa, gosto tanto de trocar livros com minha família! A gente lê um e gosta, e quer compartilhar pra ter diferentes comentários. Não dá para compartilhar livro eletrônico. Você só pode indicá-lo. Além disso, gosto do cheiro de pó dos livros tradicionais (ou do cheiro de novo), não sou alérgico a eles. Gosto de como ficam na minha prateleira, numa diversidade colorida, me lembrando toda a informação que entrou na minha cabeça e que me tornou uma pessoa melhor (acredito mesmo que o livro nos faz isto). Gosto de marcadores, capas coloridas, dedicatórias. Tudo isso fica meio sem sentido quando visto numa tela que não é colorida (podia ser...).

Como ter o melhor de cada opção? Vá com as duas! Estou lendo no Kindle, e também em livros tradicionais. Dou prioridade a ele quando vou viajar, ou quando estou na fila do médico, ou esperando abrir o portão da escola do meu filho. Mas não abro mão do livro físico, com seu cheiro, seu charme, seu peso. Não dá pra andar entre as prateleiras de uma biblioteca de Kindle, e sentir aquele silêncio que contém toda a paz do mundo.

Já experimentou o silêncio que existe bem no meio de uma biblioteca?
O que vai acontecer? Ainda tenho uma fila de livros físicos para ler. Com o tempo, no entanto, imagino que as novas compras fiquem mais “dentro” do Kindle, ou ao menos a maioria delas. Livro eletrônico é mais barato, não amarela, não molha, não é comido por cupim. Ainda assim, todas as sensações aliadas ao livro físico nunca deixarão de fazer parte do prazer da leitura. Duvido que consigam acabar com nossos amigos de papel. O futuro dirá.