30 maio 2015

O Diário de Suzana para Nicolas, de James Patterson

"Take a look and see What's become of me Remember how it used to be" (A Fine Blue Line - A-ha)


(Dê uma olhada e veja no que me tornei. Lembre-se de como costumava ser. - Tradução livre) 


Como já comentei em outras ocasiões, os terráqueos deixam-se seduzir cada vez mais por narrativas que envolvam amor, afeto, felicidade e paz. Como residente deste planeta, também sinto essa necessidade. No Natal de 2013, ganhei da minha mãe o best-seller "O Diário de Suzana para Nicolas" (original Suzanne's Diary for Nicholas, tradução de Cássia Zanon, editora Arqueiro, 2011, págs. 224), assinado pelo conhecido James Patterson - para quem o marketing não é - e nem será - um problema.

Engavetei o livro durante todo esse tempo porque tenho seguido um esquema de leitura (assunto para outras páginas), mas tive a oportunidade de resgatá-lo do limbo em fevereiro deste ano. Sentimental e suave, sem cair no roteiro enjoativo e clichê, "O Diário de Suzana para Nicolas" é uma história de amor, muito amor, e iluminação - não no sentido religioso, mas de transformação pessoal. 

Dividida em vozes, a narrativa começa com a depressão de Katie, uma famosa editora que, inconsolável, precisa superar o abandono de Matt, namorado e grande amor. Os dois se conheceram quando Katie avaliava e preparava o lançamento do livro de poemas de Matt. No entanto, a editora observou que o carinhoso namorado nunca falava de seu passado e de sua vida. Antes de desaparecer do mapa, Matt deixa uma carta e diário, contendo palavras ainda mais dolorosas para Katie. Existe um outro ponto forte que os liga, mas vou deixar a semente da curiosidade solta no ar especialmente para você, querida(o) leitora(or). 

Como o próprio título do livro sugere, depois da subjetividade de Katie chega a vez do próprio diário falar, expressando os pensamentos de Suzana. É nesse momento que somos puxados para o fundo da cachoeira, completamente curiosos para saber quem é essa mulher que acabou com as expectativas da editora, de onde ela surgiu e que comportamento deplorável poderá ser esse, não é, Matt? A cada página, eu senti os batimentos do meu coração - semi-gelado por um mundo que não reconheço mais - ganharem força, meus lábios formarem sorrisos e meus olhos deixarem os ciscos entrarem à vontade.

Antes que perguntem: Não, eu não estava especialmente sentimental ao ler a obra. O fato é que James Patterson conseguiu traçar uma novela tão cativante e meiga - sem abusar do lugar-comum - que é difícil continuar a leitura com indiferença. Acompanhar os pensamentos e diálogos das personagens é observar de perto como o amor tem seus próprios caminhos, traçando rotas que nos tiram e renovam o eixo. Sem arrependimentos, deixe-se envolver por esse livro cadente.

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Plus: A obra foi adaptada para as telas de TV pela CBS (Columbia Broadcasting System), uma das maiores redes de televisão e rádio dos Estados Unidos. Você pode conferir a adaptação (em inglês) aqui.